Após crítica de Fidel, Cuba reduz meta de produção de etanol

Por Marc Frank HAVANA (Reuters) - Cuba suspendeu por razões estratégicas o plano de quintuplicar a produção de álcool de cana, e agora pretende apenas duplicar a produção, que atualmente é de 100 milhões de litros, disse uma autoridade na quarta-feira.

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O anúncio ocorre depois de o ex-presidente Fidel Castro criticar duramente a produção de biocombustíveis a partir de alimentos.

Luis Gálvez, diretor do Instituto Cubano de Investigações dos Derivados da Cana-de-Açúcar, disse que Cuba aumentará a produção de derivados, mas nunca à custa da alimentação.

'Estamos modernizando a indústria açucareira. Agora, em nenhum momento pretendemos competir com os alimentos', disse ele em entrevista coletiva em Havana.

Ele não citou a palavra etanol e disse que a redução de metas obedece a razões de mercado, disponibilidade de terras e estratégia.

'Estamos produzindo neste momento em torno de 100 milhões de litros de álcool, e com a modernização vamos duplicar essa produção', disse ele na quarta-feira.

Há dois anos, abrindo uma conferência sobre etanol em Havana, Gálvez havia anunciado um 'acelerado programa' para quintuplicar a produção de álcool.

Mas isso foi antes que Fidel Castro, afastado do poder desde julho de 2006, começasse a escrever artigos alertando para o fato de que a produção de biocombustíveis a partir de produtos alimentícios poderia condenar bilhões de pessoas à fome.

Gálvez disse na quarta-feira que foram suspensos os planos para construir novas usinas, e que a intenção é modernizar as sete existentes, das quais quatro começarão a operar neste ano.

Fidel foi oficialmente substituído em fevereiro na Presidência por seu irmão Raúl, mas continua sendo muito influente.

A produção de açúcar sem refinar em Cuba foi de 1,5 milhão de toneladas na safra de 2007/08, contra 1,2 milhão no ano anterior.

A produção de açúcar refinado passou de 100 mil para 200 mil toneladas.

(Reportagem adicional de Esteban Israel)

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