Após crise com Colômbia, Venezuela comprará carros da Argentina

CARACAS (Reuters) - A Venezuela importará 10 mil veículos da Argentina para substituir as compras previstas da Colômbia, canceladas pelo presidente Hugo Chávez em razão do plano de Bogotá de ampliar sua cooperação militar com os Estados Unidos. Chávez tomou várias medidas de pressão econômica sobre a Colômbia como protesto contra um acordo que permitirá Washington utilizar sete bases militares no país vizinho, movimento que o presidente venezuelano vê como uma ameaça de uma possível guerra na região.

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"Vamos comprar da indústria automotiva da Argentina, que é de muito boa qualidade. Esses 10 mil carros que iríamos comprar da Colômbia que os compre (o presidente dos Estados Unidos, Barack) Obama", disse o ministro do Comércio da Venezuela, Eduardo Samán, citado em comunicado oficial.

Chávez receberá nesta semana em Caracas a presidente argentina, Cristina Kirchner, com quem poderá firmar outros acordos que lhe permitam cumprir sua ameaça de reduzir as importações da Colômbia, segundo parceiro comercial da Venezuela, depois dos Estados Unidos.

Além de cancelar a compra de veículos, Chávez proibiu a petrolífera estatal colombiana de participar de uma licitação para explorar petróleo na Venezuela, eliminou um programa de combustível subsidiado na fronteira e ordenou que as importações provenham de governos amigos.

"A Argentina tem capacidade de substituir tudo o que produz a Colômbia, já que sua indústria está muito avançada, por sua grande experiência", disse Samán durante uma reunião com empresários argentinos.

Segundo o ministro, o câmbio não elevaria o custo das importações, pois o frete marítimo vindo da argentina é mais barato do que o transporte terrestre desde a Colômbia.

Países como Argentina e Brasil poderiam capitalizar a crise entre Caracas e Bogotá, cujo comércio binacional marcou um recorde em 2008 ao superar os 7 bilhões de dólares. A Colômbia exporta para a Venezuela alimentos, têxteis e máquinas.

"Temos oportunidades muito boas para continuar aumentando a balança comercial para que nossos povos estejam satisfeitos com a qualidade e os preços", disse a ministra da Produção da Argentina, Déborah Georgi, que participou do encontro em Caracas.

O comércio entre Venezuela e Argentina somou cerca de 1 bilhão de dólares no ano passado, segundo dados oficiais.

(Por Enrique Andrés Pretel)

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