Após crise com China, Japão liberta capitão de pesqueiro chinês

Decisão de libertar pescador foi tomada um dia depois de as autoridades chinesas terem detido quatro japoneses na China

iG São Paulo |

O capitão de um pesqueiro chinês que colidiu uma embarcação da Guarda Costeira japonesa em águas territoriais disputadas pelos dois países será libertado nesta sexta-feira e deixará o Japão em um voo fretado à noite, informou a agência Kyodo, citando fontes no setor da aviação.

AP
Uotsuri Jima, uma das principais ilhas da região disputada por chineses e japoneses

Ele era acusado pelas autoridades japonesas de ter deliberadamente atingido o bote da guarda-costeira japonesa e de ter obstruído o acesso de funcionários públicos japoneses às ilhas Diaouyu (Senkaku para os japoneses) no Mar da China Oriental. A região é controlada pelo Japão, mas reivindicada pela China.

Os promotores japoneses decidiram no início do dia soltar o capitão, cuja prisão há 15 dias intensificou uma dura disputa territorial entre a China e o Japão, as maiores economias da Ásia. "Decidimos suspender as acusações em consideração às relações entre Japão e China", explicou à mídia japonesa um dos promotores do caso.

A crise ameaçava prejudicar seriamente as relações entre os dois países, cada vez mais interdependentes economicamente.

Resposta fria

A China respondeu com frieza à libertação do capitão, ao insistir que Tóquio o deteve ilegalmente e afirmar que as autoridades chinesas se ocuparão de trazê-lo de volta. "O governo chinês enviará um avião para trazer o capitão do barco pesqueiro chinês ilegalmente detido pelo Japão", disse em um breve comunicado a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Jiang Yu. "Reitero que qualquer dos supostos procedimentos judiciais tomados pelo Japão contra o capitão chinês é ilegal e inválido."

A decisão de libertar Qixiong foi tomada um dia depois de as autoridades chinesas terem detido quatro japoneses, acusados de entrarem numa zona militar e filmar ilegalmente as instalações no local. Os quatro são funcionários de uma empresa japonesa de construção que estavam no país para discutir um projeto para eliminação de armas químicas usadas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A agência de notícias chinesa Xinhua divulgou na quinta-feira que as autoridades do setor de segurança estatal em Shijiazhuan, capital de Hebai, prenderam as quatro pessoas após receberem um informe sobre supostas atividades ilegais.
O Japão disse que está acompanhando o caso e que continua apostando na diplomacia para tentar normalizar as relações com a China. "O primeiro-ministro e o ministro-chefe da Casa Civil têm dito repetidamente que gostaríamos de tratar a nossa relação com a China de uma maneira mais calma. Essa é a posição básica e ela permanece inalterada", disse à imprensa o porta-voz adjunto do ministério das Relações Exteriores, Hidenobu Sobashima, após a divulgação da investigação. "Iremos monitorar de perto a evolução (dos fatos). Disseram que eles violaram a lei chinesa e precisamos monitorar de perto qual será a conclusão", explicou o porta-voz.

Relações estremecidas

A prisão do pescador gerou grande tensão nas relações entre os dois países. Para analistas, o incidente trouxe à tona o acirramento da disputa pela soberania sobre uma área rica em gás natural e outros minérios.

O caso despertou uma onda de protestos na China, ocupado pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial. A agência oficial de turismo de Pequim chegou a pedir para que as empresas de viagens cancelassem os pacotes para o Japão. O governo chinês também tinha anunciado a suspensão da exportação do minério terra-rara para o Japão. O material é usado nas peças de eletrodomésticos e de veículos híbridos.

As reuniões diplomáticas e visitas de estudantes japoneses de programas de intercâmbio também foram canceladas, em protesto pela detenção. O polêmico governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, afirmou à imprensa japonesa sua intenção de cancelar uma viagem à China e criticou as medidas tomadas pelo governo chinês dizendo ser "o tipo de coisa que a yakuza (a máfia japonesa) faz".

* Com EFE, BBC e Reuters

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