Agência cultural da ONU também cortará operações não essenciais; EUA suspenderam financiamento após adesão palestina ao órgão

Em Paris, delegados aplaudem após votação que deu aos palestinos o status de membro pleno da Unesco (31/10)
AP
Em Paris, delegados aplaudem após votação que deu aos palestinos o status de membro pleno da Unesco (31/10)
A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) não assumirá nenhum novo projeto até o fim deste ano e está cortando seu orçamento e operações para lidar com um déficit de caixa de US$ 65 milhões depois da retirada de ajuda financeira por parte dos EUA relacionada à admissão da Autoridade Nacional Palestina na organização . A adesão foi uma vitória diplomática para os palestinos, que aspiram a se tornar um Estado soberano.

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De acordo com uma fonte ouvida pela Associated Press, os projetos já assumidos terão prosseguimento, mas ainda não há nenhuma decisão sobre como a organização atuará no próximo ano.

Segundo a rede de TV americana Fox, a agência cortará todos os pagamentos e transações desnecessários enquanto faz uma revisão após a suspensão do financiamento americano. A medida inclui cancelar viagens, conferências e publicações não essenciais, entre outros gastos.

"Estamos protegendo nossos principais programas de trabalho o máximo possível", disse o funcionário, acrescentando: "Nenhuma decisão sobre corte de programas foi feita ainda."

Ele se referiu à informação divulgada previamente pela agência France Press, segundo a qual a organização suspenderá a execução de programas até o final do ano. A medida, de acordo com a AFP, foi anunciada pela diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, a diplomatas da agência.

As dificuldades financeiras da Unesco, que protege patrimônio arquitetônico e trabalha para melhorar os índices de alfabetismo, o acesso de meninas à escola e a compreensão cultural, devem-se ao fato de receber cerca de US$ 80 milhões dos EUA (ou 22% de seu orçamento de US$ 653 milhões). O Canadá e Israel também retiraram sua ajuda financeira , mas os dois doam bem menos à agência.

Na quarta-feira, Irina apresentou uma série de propostas de como a organização liderá com a perda do orçamento. Entre elas estava o lançamento de um fundo emergencial para solicitar doações de fundações e indivíduos, além dos membros.

Irina também afirmou que usaria os US$ 30 milhões de um fundo reserva para cobrir parte do buraco do orçamento, pedindo para que esse fundo seja aumentado em US$ 65 milhões. Ela também pediu que os membros paguem suas cotas o quanto antes.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou na semana passada que uma lei americana impede o país de contribuir para organizações que aceitem os palestinos como membros antes de um acordo de paz. Estava previsto que os EUA dessem mais de US$ 60 milhões à Unesco no início deste mês, mas cancelaram o envio de dinheiro depois da adesão palestina.

A agência cultural foi a primeira na qual os palestinos buscaram integração como membro total desde que o presidente Mahmoud Abbas entrou com o pedido de reconhecimento palestino nas Nações Unidas , em 23 de setembro. Os palestinos estudam os procedimentos de adesão a outras 16 agências da ONU .

*Com AP e AFP

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