Após cortar petróleo para França e Reino Unido, Irã ameaça mais países

Em meio à segunda rodada de negociações com agência nuclear da ONU, Teerã indica que medida pode se estender para mais seis nações

iG São Paulo |

Um dia após cortar as vendas de petróleo para a França e o Reino Unido e em meio a uma visita de inspetores da agência nuclear da ONU ao país, o Irã ameaçou estender nesta segunda-feira a medida para outros países europeus se a União Europeia continuar com suas "ações hostis" contra Teerã, disse o presidente da companhia nacional petroleira do Irã (NIOC), Ahmad Ghalebani.

Divisão interna: Medidas agressivas indicam pressão sob líderes do Irã

AP
Boneco de carnaval do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, é visto em Dusseldorf, Alemanha. Na boca, ele tem dinamite em que se lê: 'Programa nuclear'
Desenvolvimento: Irã anuncia avanços com novas centrífugas e combustível próprio

O país persa havia advertido pela primeira vez no dia 15 que estudava cortar o envio de petróleo a seis nações europeias. "Certamente, se as ações hostis (da UE contra Irã) continuarem, as exportações de petróleo para esses países serão cortadas", afirmou Ghalebani.

Citado pela agência semioficial iraniana Mehr, Ghalebani mencionou a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Portugal e Holanda como alvos potenciais da medida, em represália pelo embargo imposto em janeiro pela UE ao petróleo iraniano a partir de 1º de julho, que foi mais um reforço às sanções ocidentais contra o controverso programa nuclear da República Islâmica.

Teerã anunciou no domingo a suspensão de toda a venda de petróleo à França e Reino Unido, os dois países da UE que mais impulsionaram a adoção de sanções contra Irã. A porta-voz da Comissão Europeia, Marlene Holzner, afirmou nesta segunda-feira que a Bélgica, a República Checa e a Holanda pararam de comprar petróleo iraniano, enquanto a Grécia, a Espanha e a Itália estão diminuindo suas aquisições.

A França subestimou o impacto da ação do Irã, dizendo que as companhias petrolíferas francesas já pararam de adquirir o produto iraniano. Segundo Marlene, Reino Unido, Áustria e Portugal pararam de comprar petróleo iraniano já há algum tempo.

A ameaça de cortes de petróleo fez com que os preços do produto fossem os mais altos em nove meses, chegando a US$ 105 o barril na Ásia nesta segunda-feira. Ghalebani previu que os preços devem aumentar ainda mais. "A atual situação do mercado mostra que é provável que o preço do petróleo passe dos US$ 150 o barril", disse.

O Irã vendeu 500 mil barris por dia em média em 2011 para Europa, cerca de 20% de suas exportações totais. Itália, Espanha e Grécia, principais destinos das exportações petroleiras iranianas para Europa, podem ser penalizadas se Teerã efetivar sua ameaça. Das exportações do Irã ao Irã, 18% vão para a Europa.

Visita da AIEA

Funcionários da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) começaram nesta segunda-feira uma segunda rodada de negociações com autoridades do Irã sobre seu programa nuclear, que o Ocidente suspeita ter o objetivo de fabricar armas nucleares. Teerã nega a acusação, afirmando ter apenas objetivos civis, como a produção de energia. O reator de Teerã, por exemplo, produz isótopos nucleares para o tratamento de pacientes com câncer.

Os dois dias de conversas ocorrem em meio ao aumento de tensão na região, com Israel deixando claro que considera atacar a infraestrutura nuclear do país persa, enquanto o Irã alerta que poderia fechar o Estreito de Ormuz , por onde navios-tanque passam com carregamentos vitais do petróleo mundial.

Infográfico: Saiba mais sobre o Estreito de Ormuz

Na semana passada, o governo iraniano anunciou avanços em seu programa nuclear e passou com dois navios de guerra pelo Mediterrâneo após atravessar o Canal de Suez pela segunda vez desde 1979 , enquanto Israel culpou o país por ataques recentes contra alvos israelenses na Geórgia, na Índia e por uma conspiração terrorista na Tailândia . Teerã nega as acusações.

Com o argumento de que seu programa nuclear tem fins civis, o Irã rejeita a reivindicação internacional de que suspenda seu enriquecimento de urânio. Mas um relatório da AIEA divulgado em novembro trouxe a informação de que o país realizou algumas pesquisas sobre o desenvolvimento de armas .

*Com AP, AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: irãprograma nuclearpetróleoueaieaestreito de ormuz

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG