Após convenção democrata, Obama tem 67 dias para conquistar o eleitorado

Paco G. Paz.

EFE |

Denver (EUA.), 29 ago (EFE).- Barack Obama tem a partir de hoje 67 dias para convencer os eleitores quanto à visão para os Estados Unidos esboçada no fechamento da Convenção Nacional Democrata e para se distanciar de seu rival republicano John McCain, que o acompanha de perto nas pesquisas.

Os democratas puseram ontem um ponto final durante a Convenção de Denver com um espetacular ato de campanha em um estádio gigante, onde Barack Obama teve a oportunidade de fazer o que muitos analistas consideram o discurso mais importante de sua carreira.

Em seu discurso de aceitação da candidatura democrata, Obama relembrou alguns dos temas que o lançaram para o estrelato na Convenção de 2004, quando falou pela primeira vez da necessidade de mudar a forma de fazer política em Washington e de recuperar a "esperança" em um país castigado pela crise econômica.

Após quatro dias como os protagonistas absolutos da atual política americana, os democratas acreditam agora que este 'empurrão' se refletirá nas pesquisas de intenção de voto, que nas últimas semanas mostraram um virtual empate entre Obama e McCain.

As primeiras pesquisas parecem confirmá-lo. A última sondagem realizada pela Gallup, efetuada entre segunda-feira e quarta-feira, antes do discurso que o candidato democrata proferiu ontem à noite, atribui a Obama intenções de voto de 48%, contra 42% de McCain. A margem de erro é de dois pontos.

Outra pesquisa publicada hoje pela Rasmussen reflete que Obama conta hoje com o apoio de 46% dos eleitores, contra 43% de McCain.

Esta é a primeira vez em duas semanas que Obama se distancia levemente de McCain. Esse resultado foi atribuído aos discursos de alto nível feitos na convenção pela senadora Hillary Clinton, pela esposa do candidato, Michelle Obama, e pelo senador Ted Kennedy.

Em todo caso, o protagonismo democrata durou pouco. Hoje mesmo, todos os focos de atenção giraram em torno dos republicanos, depois que McCain anunciou, para surpresa dos observadores, que seu candidato à Vice-Presidência seria uma mulher, a jovem governadora do Alasca, Sarah Palin.

Os republicanos iniciam, além disso, na segunda-feira em Minnesota sua convenção com uma cobertura midiática absoluta, como a desfrutada esta semana pelos democratas.

O partido de Barack Obama tem agora 67 dias, quase dez semanas, antes das eleições de 4 de novembro, para convencer os eleitores a apostarem na mensagem de mudança e de melhora econômica para a classe média projetada ontem à noite pelo candidato.

O jornal "The New York Times" afirmou hoje em um editorial que a melhor prova da força de um candidato é a sua capacidade de moldar o partido à sua imagem e semelhança, e contar com um argumento poderoso a ser defendido durante a campanha.

"Barack Obama deixa Denver com progressos significativos nas duas frentes", disse.

Obama, segundo o jornal, encontrou um novo tema para sua campanha, que pode mobilizar não só os democratas, mas uma ampla categoria de americanos.

Ontem à noite, perante 85 mil simpatizantes e 23 milhões de espectadores, o candidato reconheceu que o Governo de George W. Bush não é o culpado por todos os males que os EUA sofrem, mas é o responsável de não ter atuado para solucioná-los.

Além disso, ligou McCain à política de Bush, com o argumento de que aquele votou a favor das medidas deste em 90% dos casos.

Obama apelou diretamente para os problemas da classe média, um grupo que ele precisa atrair para ganhar em 4 de novembro, e prometeu melhoras econômicas e educacionais, além da extensão da cobertura do sistema de saúde com caráter universal.

Anunciou que na próxima década investirá US$ 150 bilhões em energias alternativas para acabar com a dependência do petróleo do Oriente Médio, e lembrou, em matéria de política externa, que restaurará o prestígio e as alianças dos EUA.

O jornal "The Washington Post" destacou que a mensagem dada ontem por Obama lembra a que foi pronunciada em 2004, com a diferença que a situação econômica desde então piorou significativamente no país.

No entanto, o jornal diz que "as receitas oferecidas por Obama não vão além do que prometeu em 2004 (o então candidato democrata) John Kerry", como o corte de impostos para a classe média e a busca de novas fontes de energia.

"Além disso, muitas destas propostas caem na categoria de promessas atrativas de difícil realização", e cita como exemplo a de deixar de depender do petróleo árabe em 10 anos ou a de cortar os impostos sem agravar o déficit do país. EFE pgp/bm/ma

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