O Hamas afirmou neste sábado que restaurou a ordem e retomou o controle no sul da Faixa de Gaza depois de um confronto com um grupo radical islâmico. Pelo menos 20 pessoas morreram na sexta-feira, quando o Hamas lançou a ofensiva contra o grupo radical Jund Ansar Allah, que havia declarado um emirado islâmico na região.

O líder do grupo, o clérigo Abdul-Latif Moussa, morreu ao detonar os explosivos que levava em um cinto durante o confronto, matando o policial do Hamas que tinha sido enviado para prendê-lo.

O confronto em uma mesquita de Rafah, perto da fronteira com o Egito, durou cerca de sete horas e acabou por volta da meia-noite na sexta-feira. O Hamas também invadiu a casa de Moussa.

Entre os mortos, há seis membros do Hamas, incluindo um alto comandante, e um civil. O restante dos mortos seriam membros do Jund Ansar Allah.

Cerca de 120 pessoas ficaram feridas, algumas delas com gravidade, segundo o correspondente da BBC Rushdi Abu Alouf.

Al-Qaeda
O porta-voz do Hamas Taher al-Nono disse: "Consideramos Abdul-Latif Moussa e seus seguidores totalmente responsáveis pelo que aconteceu, por causa de sua declaração apressada durante as orações de sexta-feira de um 'emirado islâmico'".

Acredita-se que o Jund Ansar Allah (Guerreiros de Alá, em tradução livre) seja ligado à Al-Qaeda.

"Qualquer um que pertença a esse grupo tem que imediatamente se entregar com suas armas para a polícia palestina e para as forças de segurança", disse Al-Nono.

Outro alto-funcionário do Hamas, Samu Abu Zuhri, classificou o discurso do clérigo como "pensamento errado".

Ataque a soldados
O grupo Jund Ansar Allah ficou conhecido há dois meses quando tentou realizar um ataque contra soldados israelenses em Gaza.

Acredita-se que a organização seja bastante crítica ao Hamas, que controla a Faixa de Gaza, acusando o grupo de não adotar posturas que sigam de maneira estrita a lei islâmica.

O chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniya, negou que existam militantes estrangeiros armados no território. Israel alega que veteranos dos conflitos no Afeganistão e no Iraque buscam agora levar a ideologia da Al-Qaeda para terras palestinas.

"Grupos assim não existem na Faixa de Gaza... não há guerrilheiros em Gaza, exceto palestinos", disse ele.

Haniya disse que o que chamou de "propaganda sionista" teria como objetivo colocar a opinião pública contra o Hamas.

Outras fontes do Hamas declararam que o clérigo seria "louco".

O Hamas já desbaratou outros grupos inspirados na rede Al-Qaeda no passado, mas teme que outros militantes extremistas se dirijam à região, o que fez com que a entrada de pessoas armadas que não pertençam ao Hamas tenha sido proibida em Gaza.

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