Após conflito, Equador e México querem nova OEA

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Os presidentes do Equador e do México defenderam na sexta-feira a criação de um novo organismo latino-americano que seja capaz de resolver conflitos, após a Organização dos Estados Americanos ser muito criticada na recente crise entre Quito e Bogotá. O equatoriano Rafael Correa chegou na quinta-feira à noite à Cidade do México para uma visita de pouco mais de dois dias, durante a qual Calderón cobrou esclarecimentos sobre a morte de quatro mexicanos no ataque do Exército colombiano em 1o de março a um acampamento da guerrilha Farc no Equador.

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Essa ação matou um dirigente da guerrilha e desencadeou uma crise entre Equador e Colômbia, que acabou envolvendo também Venezuela e Nicarágua.

Segundo Correa, a 'nova OEA' deveria contar com um conselho de defesa regional para a solução desse tipo de conflitos, além de incluir países que nada têm a ver com a região (uma alusão aos EUA) e incluir outros que estão marginalizados (Cuba, suspensa da organização por causa de seu regime comunista).

'Uma organização de Estados latino-americanos que não se preste a tutelas [...] e que inclua países latino-americanos que foram absurdamente excluídos dos foros internacionais', disse Correa em mensagem conjunta com o presidente mexicano, Felipe Calderón.

O presidente mexicano é um conservador que está ideologicamente mais perto do colombiano Álvaro Uribe do que do nacionalista Correa. Mas ele respaldou a idéia do equatoriano e disse que o novo órgão poderia se chamar 'América Latina Unida' ou 'Somos América Latina'.

'Concordamos nesta manhã com a idéia de impulsionar os povos irmãos que integramos a América Latina para uma organização formal [...]. Concordamos no propósito de impulsionar uma maior integração, maior unidade entre todos os povos latino-americanos, sem distinção', disse Calderón.

Correa disse que o conselho regional de defesa deveria se basear na proposta brasileira para o tema.

A proposta lançada pelo ministro Nelson Jobim já recebeu o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado de Correa. O objetivo seria ajudar a evitar conflitos e a reduzir a dependência em relação a armas dos EUA.

Antes, Calderón havia reiterado seu rechaço à 'violação da integridade territorial' do Equador no ataque colombiano.

Os familiares dos mexicanos que morreram e de uma jovem que sobreviveu ao ataque, Lucía Morett, pediram ao governo da Colômbia que lhes indenize por haver cometido um crime de Estado.

Eles também pediram ao governo mexicano que abra processos em organismos internacionais como a Corte Interamericana de Direitos Humanos.

(Reportagem de Anahí Rama e Miguel Angel Gutiérrez)

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