Após colisão, Paris e Londres podem coordenar rotas submarinas

Por Sophie Hardach PARIS (Reuters) - França e Grã-Bretanha devem cogitar uma coordenação das suas patrulhas submarinas, depois da colisão entre dois submarinos com armas nucleares desses países, disse na terça-feira o ministro francês da Defesa, Hervé Morin.

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Ele negou que os submarinos estivessem se "marcando" mutuamente ao colidirem no Atlântico. Disse que o acidente ocorreu porque as embarcações "fazem menos barulho que um camarão".

"Não há nada nesse sentido. Os britânicos não estão caçando submarinos franceses, e os submarinos franceses não caçam submarinos britânicos", disse ele à rádio Canal+.

"Enfrentamos um problema tecnológico extremamente simples, que é o de esses submarinos não serem detectáveis. Eles fazem menos barulho que um camarão."

De acordo com ele, a missão dos submarinos era se instalar no leito do mar e agir como dissuasão nuclear.

"Entre França e Grã-Bretanha há coisas que podemos fazer juntos (...). Uma das soluções seria pensar em zonas de patrulhas", disse Morin.

Analistas dizem que o acidente poderia ter provocado um desastre se os cascos dos submarinos tivessem se rompido.

O comodoro Stephen Saunder, oficial naval da reserva e especialista em submarinos, descreveu o incidente como "muito sério" e disse que é hora de França e Grã-Bretanha coordenarem mais ativamente suas atividades submarinas.

"Eu pensaria que seria possível pelo menos arranjar para estar em diferentes partes do oceano sem comprometer a segurança operacional", disse Saunder, editor da publicação Jane's Fighting Ships, em email à Reuters.

"Sem dúvida há várias questões técnicas a serem investigadas, mas a raiz do problema parece ser de procedimentos. Esses submarinos não deveriam estar no mesmo lugar ao mesmo tempo."

A Marinha francesa inicialmente informou que seu submarino Le Triomphant sofrera danos leves ao abalroar um objeto submerso -- provavelmente um contêiner, nessa primeira versão.

Na segunda-feira, porém, ambos os países confirmaram que o objeto do choque foi o submarino britânico HMS Vanguard, que transporta o míssil nuclear Trident.

Morin negou que as autoridades tenham tentado acobertar o incidente. Disse também que os dos países trocaram informações sobre o caso só depois que o Vanguard voltou à base.

O Le Triomphant está equipado com 16 mísseis nucleares. Grã-Bretanha, e a França têm quatro submarinos com armas nucleares cada um.

Especialistas dizem que na hora da colisão havia mais de 240 tripulantes nos dois submarinos.

(Reportagem de Laure Bretton, em Paris, e Luke Baker, em Londres)

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