Após ciclone, Mianmar ainda reluta em aceitar auxílio internacional

Apesar da pressão internacional, a junta militar que controla Mianmar parece ainda não estar totalmente disposta a aceitar auxílio internacional para os mais de um milhão de atingidos pelo ciclone Nargis.

AFP |

Os americanos, que haviam anunciado terem recebido autorização da junta para enviar um avião, afirmaram em um comunicado que a aeronave não seguiria mais para Mianmar.

"Não sei se houve um cancelamento ou um problema de comunicação", declarou à imprensa o embaixador americano em Bangcoc, Eric John.

A junta militar de Mianmar é extremamente malvista por Washington, mas os Estados Unidos a pressionavam há vários dias para que aceitasse ajuda, após a passagem no fim de semana passado do ciclone Nargis, que pode ter provocado mais de 100.000 mortes.

O embaixador americano disse ainda que Washington ajudará de qualquer forma, através das Nações Unidas.

O Senado americano, por sua vez, aprovou uma resolução exigindo que o governo militar levante as restrições à entrega de ajuda estrangeira.

Um primeiro avião da ONU, uma aeronave do Programa de Alimentos Mundial (PMA), pousou nesta quinta-feira em Yangun.

A ajuda enviada pela ONU já havia chegado à Mianmar, mas não a bordo de um avião especial das Nações Unidas. O auxílio havia sido transportado por veículos tailandeses, de acordo com Richard Horsey, porta-voz das Nações Unidas em Bangcoc.

O auxílio internacional começa a reforçar as equipes humanitárias que se encontravam no local durante a catástrofe. A ONU pediu ainda que a junta militar autorize a entrada de uma centena de especialistas, principalmente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Contudo, o processo para obtenção de vistos leva muito tempo. O regime militar de Mianmar, um dos países mais fechados do planeta, já havia informado para os especialistas humanitários, no início da semana, que deveriam passar pelos trâmites legais para entrar no território.

Na noite de quarta-feira, um balanço oficial ainda provisório divulgado pela televisão estatal contabilizava 22.980 mortes e 42.119 desaparecidos.

Na cidade de Labutta e nas 63 localidades vizinhas, no meio do delta do Irrawady, completamente devastado pelo ciclone, uma autoridade local, Assento Win, disse que as mortes podem chegar a 80.000. De acordo com o secretário do distrito de Labutta, dezenas de aldeias do local foram dizimadas.

"No conjunto do delta, poderão chegar a 100.000 mortes", disse por sua vez a encarregada de negócios americanos em Yangun, Shari Villarosa.

Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que o governo de Mianmar facilitasse a ajuda e a França propôs que o Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciasse movimentações para obrigar a junta militar a permitir a entrada de auxílio.

Apesar da situação catastrófica, o governo de Mianmar manteve para sábado o referendo sobre uma nova Constituição, que de acordo com a oposição perpetuará os militares no poder. O voto será adiado apenas em 47 municípios particularmente afetados.

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