Após Chávez vetar debate, intelectuais pedem tolerância na Venezuela

Pouco depois do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter descartado um debate na TV como o escritor peruano Mario Vargas Llosa, intelectais latino-americanos, entre eles o próprio Vargas Llosa e o mexicano Enrique Krauze, que participaram de um fórum sobre democracia e liberdade em Caracas, defenderam a tolerância como valor do liberalismo.

AFP |

Depois de lançar a ideia do debate com outros pensadores "revolucionários e socialistas" em seu programa "Alô Presidente", que celebra 10 anos com quatro dias de programação, Chávez recebeu a resposta positiva do escritor peruano.

Vargas Llosa sugeriu ainda que o debate fosse entre ele e Chávez, acompanhados por alguns dos intelectuais presentes em Caracas, e em igualdade de condições no tempo para cada um.

Mas o presidente venezuelano recuou após a proposta. Posso ajudar moderando, mas o debate é entre intelectuais e eu simplesmente sou um presidente, um soldado", alegou.

Mais tarde, no fórum de Caracas, o escritor peruano defendeu a tolerância.

"Um dos grandes valores do liberalismo é a tolerância. É algo que não têm aqueles que criaram um dogma, que é o que acontece na América Latina com a esquerda e às vezes com a direita", afirmouó Vargas Llosa.

O peruano lamentou que durante sua estadia em Caracas alguns seguidores do presidente Hugo Chávez não criticaram suas ideias e a de outros intelectuais, e sim os "insultam, caricaturizam e ridicularizam".

"A intolerância levanta muros, baixa cortinas, impede o diálogo, a conversa e o entendimento, que é o que estabelece a paz entre pessoas que têm credos ou ideias diferentes", completou.

Já o historiador mexicano Enrique Krauze afirmou que no debate político e ideológico não se deve insultar. "É preciso convencer com razões, com ideias".

Krauze e Vargas Llosa encerraram em Caracas um fórum internacional sobre liberdade e democracia, que também contou com a presença do ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, entre outros.

Paralelo ao fórum, o governo venezuelano organizou um colóquio de intelectuais "revolucionários e socialistas".

rsr/fp

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