Após cessar-fogo, Otan pede para Rússia respeitar soberania da Geórgia

Bruxelas, 12 ago (EFE).- A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) considerou positiva o fim das atividades militares na Geórgia anunciado pela Rússia, mas disse que a medida não é suficiente e pediu a Moscou respeito à soberania georgiana e à sua integridade territorial.

EFE |

A postura da organização foi anunciada hoje pelo secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, após uma reunião do Conselho do Atlântico Norte - o principal órgão de decisão - e outra com a delegação georgiana, para analisar a situação em torno do conflito da Ossétia do Sul.

Segundo Scheffer, os países da Otan condenam "o uso excessivo da força por parte da Rússia", pelo que ele pediu a volta das tropas russas às posições que ocupavam em 6 de agosto, antes do início das hostilidades.

Ele afirmou que a Otan valoriza a oferta de cessar-fogo da Geórgia e o anúncio da Rússia de interromper as operações militares, e continua achando que o fim imediato das hostilidades é a "maior prioridade".

O diplomata holandês ainda disse que a relação com Moscou se verá influenciada por seu ataque contra a Geórgia, sobretudo levando em conta que o país devia atuar como mediador no conflito da Ossétia do Sul.

Por sua vez, a Rússia reagiu com indignação à postura expressada pela Otan em Bruxelas.

Segundo o embaixador russo na organização, Dmitri Rogozin, as críticas relacionadas à intervenção russa são "inaceitáveis".

Rogozin insistiu em que as ações do Kremlin tiveram natureza "humanitária" e criticou o fato de a organização não ter condenado os ataques da Geórgia.

"Se a Otan acha que a Rússia fez uso excessivo da força na Geórgia, poderíamos lhe recordar sua atuação no Afeganistão e na Iugoslávia", declarou, em entrevista coletiva.

Além disso, o representante russo demonstrou seu mal-estar por o conselho extraordinário Otan-Rússia, solicitado na segunda-feira por Moscou, não ter sido realizado, pelo que culpou os Estados Unidos. O objetivo da Rússia era dar sua versão do ocorrido na Ossétia do Sul.

O embaixador americano na Otan, Kurt Volker, explicou que seu país considera que é preciso "mais tempo" para preparar esse encontro, mas afirmou que a organização ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.

Segundo Scheffer, a reunião requer "uma boa preparação", mas acontecerá em breve.

A Otan se reuniu hoje com representantes georgianos, apesar de a ministra de Exteriores do país, Eka Tkeshelashvili, não ter viajado a Bruxelas, como estava previsto.

Quem a substituiu foi o embaixador da Geórgia na Aliança, Revaz Beshidze, que pediu à Otan uma presença "mais ativa" em seu território, assim como assistência militar para reconstruir as infra-estruturas danificadas pelos ataques russos.

Scheffer explicou que a organização estudará os pedidos de Tbilisi, mas assegurou que na reunião não foi discutida a possibilidade de uma força de paz ser enviada à região.

O diplomata holandês também ressaltou os fortes vínculos da Otan com a Geórgia e disse que a Aliança mantém os compromissos expressados com este país durante a cúpula de Bucareste quanto a uma possível adesão da Geórgia à organização.

Tbilisi também reivindicou à Otan um "apoio político claro", com declarações públicas contundentes, assim como uma visita de algum alto funcionário da organização, para coordenar sua atuação com os outros atores internacionais e garantir a cessação efetiva da violência. EFE mvs/ab/db

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