Após bombardeio, palestinos voltam a túneis

Por Adam Entous RAFAH, Faixa de Gaza (Reuters) - Contrabandistas palestinos voltaram na quarta-feira a trabalhar no reparo dos seus túneis entre Egito e Faixa de Gaza, horas depois de um bombardeio israelense que visava a destruí-los.

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"Eles jogaram duas ou três bombas. Mas, olhe, todo mundo ainda está trabalhando", disse um escavador que se identificou com o apelido de Abu Ali e disse ter 30 anos.

Israel já havia bombardeado duramente esses túneis durante a recente ofensiva de 22 dias, já que a rede subterrânea sob a fronteira é usada pelo grupo islâmico Hamas para se abastecer de armas. Por causa do bloqueio israelense, os túneis servem também para o tráfego de alimentos e outros produtos, tornando-se essenciais para os 1,5 milhão de habitantes da região.

Na terça-feira, depois de 10 dias de trégua, Israel voltou a bombardear os túneis, depois que uma explosão provocada por militantes palestinos matou um soldado israelense, em uma outra zona de fronteira.

Quem vê as volumosas escavadeiras amarelo-berrante trabalhando no chamado Corredor Philadelphi, que separa a Faixa de Gaza da península do Sinai (Egito), não imagina que haja algo de clandestino nessa atividade. A apenas 50 metros dali, guardas egípcios assistem a tudo.

"Estou assustado porque tenho de trabalhar. Que mais posso fazer? Esse é o único emprego", disse Mohammed, 17 anos, acrescentando que pretende usar o túnel onde trabalha para trazer roupas para Gaza.

Muitos desses túneis contam com sistemas sofisticados e parecem ter resistido intactos às três semanas de bombardeios.

O Egito, que em geral mantém fechado o acesso fronteiriço oficial, em Rafah, aceitou realizar uma ação contra o contrabando, com assistência técnica internacional, mas ainda não há um plano definido para isso.

O combate internacional ao contrabando de armas para o Hamas em Gaza foi uma das principais exigências de Israel para declarar uma trégua. Já o Hamas exige que Israel suspenda o bloqueio econômico em vigor desde 2007, quando o grupo islâmico expulsou as forças da facção laica Fatah do território.

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