Os 27 países da União Européia (UE) aprovaram nesta quinta-feira o plano de ajuda financeira aos bancos da região, anunciado no domingo, e afirmaram estar determinados a tomar agora medidas para ajudar a indústria e frear a desaceleração econômica. Na declaração final da cúpula de dois dias realizada em Bruxelas, os governantes do bloco manifestam sua determinação em tomar as medidas necessárias para reagir à desaceleração da demanda e do investimento e, em particular, para apoiar a indústria européia.

A Comissão Européia, órgão executivo do bloco, foi encarregada de apresentar antes do final deste ano uma proposta com possíveis medidas para alcançar esse objetivo juntamente com um estudo sobre a situação da indústria européia.

O caminho a ser seguido, de acordo com o documento, deve passar pela "continuação das reformas estruturais como forma de contribuir para a retomada do crescimento e para a melhoria da situação do emprego na Europa".

Reformas

Em entrevista coletiva ao final da reunião, o atual presidente da UE, o francês Nicolas Sarkozy, insistiu na necessidade de reformar o sistema financeiro mundial, uma proposta apresentada na quarta-feira pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que obteve apoio unânime dos 27.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, defendeu a participação dos países emergentes nesse processo e afirmou que um estudo apresentado aos líderes europeus pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, "mostra que esses países já estão sendo afetados pela crise".

Para a UE, a reforma mundial deve ser apoiada na aplicação de princípios de transparência e na supervisão internacional e incluir uma revisão profunda do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O bloco também pede uma revisão dos princípios de remuneração dos executivos financeiros para evitar que recebam indenizações milionárias mesmo quando deixam uma instituição à beira da falência.

Imigração e clima

Além dos problemas financeiros, os líderes europeus também ratificaram o chamado Pacto para a Imigração, um acordo político no qual os 27 se comprometem a seguir determinados princípios comuns na elaboração de suas leis para essa área.

Segundo o documento de conclusão da cúpula, as iniciativas incluídas no pacto deverão ser colocadas em prática imediatamente. Entre elas está o compromisso de todos os países de não realizar regularizações massivas de imigrantes ilegais e criar mecanismos de incentivo ao retorno voluntário.

A UE também conseguiu unanimidade para confirmar seu pacote climático, que determina reduzir em 20% as emissões de gases associados ao efeito estufa até 2020 em relação a 1990 e a aumentar a participação de fontes renováveis em 20% no total da energia consumida no bloco.

Para isso, a presidência e a Comissão européias prometeram buscar "soluções apropriadas para as preocupações específicas" de cada país, disse Sarkozy.

Pelo menos dez países membros, entre eles Itália e Polônia, disseram estar preocupados com a consequência que a adaptação às metas climáticas européias teriam sobre suas indústrias em meio à atual crise.

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