Após ataque, ministro de Defesa da Coreia do Sul renuncia

Cobrado por resposta mais contundente a 'provocações' da Coreia do Norte, governo anuncia reforço militar nas ilhas do Mar Amarelo

iG São Paulo |

O ministro de Defesa da Coreia do Sul, Kim Tae-young, apresentou nesta quinta-feira sua renúncia, dois dias depois de um ataque da Coreia do Norte a uma ilha sul-coreana ter causado quatro mortes.

Segundo a agência local Yonhap, o presidente Lee Myung-bak aceitou a renúncia do ministro, um pedido de setores da oposição que queriam uma resposta mais contundente do governo diante das "provocações" do regime norte-coreano.

Nesta quinta-feira, a Coreia do Sul afirmou que vai reforçar a segurança na fronteira e criar novas regras militares para lidar com ameaças da Coreia do Norte. Segundo um porta-voz presidencial sul-coreano, as respostas do país ao vizinho do norte haviam se tornado "passivas demais".

"(O governo) decidiu aumentar acentuadamente a força militar, incluindo tropas terrestres, nas cinco ilhas do Mar Amarelo e alocar mais de seu orçamento para lidar com as ameaças assimétricas da Coreia do Norte", afirmou o porta-voz da Presidência, Hong Sang-pyo.

AP
Parente de sul-coreano morto em ataque chora durante cerimônia em homenagem às vítimas em Seongnam, na Coreia do Sul

No futuro, a Coreia do Sul implementará diferentes níveis de resposta dependendo se os norte-coreanos atacarem alvos militares ou civis, segundo o porta-voz.

O disparo de dezenas de tiros de artilharia contra uma ilha sul-coreana na terça-feira provocou a morte de dois soldados e dois civis e elevou a tensão na região. A Coreia do Norte ameaçou promover novas ações militares se a Coreia do Sul mantiver o que chamou de "caminho de provocações militares", segundo a agência oficial de notícias norte-coreana, KCNA.

O governo norte-coreano também acusou os Estados Unidos pelo aumento do nível de hostilidades entre os países, dizendo que o governo americano ajudou a desenhar "a fronteira marítima ilegal" entre os dois países no lado ocidental.

Pressão sobre a China

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, participou de reuniões na Rússia sobre o conflito entre as Coreias, em meio às pressões para que a China use sua influência sobre o governo comunista norte-coreano para ajudar a acalmar os ânimos. Apesar disso, uma visita programada pelo ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, à Coreia do Sul, foi adiada, por conta de "problemas de agenda", segundo as autoridades chinesas.

Em um comunicado do governo chinês sobre a questão, o premiê Wen Jiabao descreveu a situação na península coreana como "séria e complicada". "A China está firmemente comprometida com a manutenção da paz e da estabilidade na península coreana e se opõe a qualquer ato militar provocativo", disse ele. "Os lados relevantes deveriam manter o mais alto comedimento, e a comunidade global deveria fazer mais para a distensão desta situação tensa", afirmou Wen.

Wen voltou a defender sua posição de que as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, envolvendo seis países (Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias), devem ser retomadas o mais rapidamente possível, numa posição apoiada pela Coreia do Norte.

A Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão defendem que as negociações de seis países não deveriam recomeçar até que a Coreia do Norte interrompa a construção de novas usinas de enriquecimento nuclear e se desculpe pelo suposto bombardeamento a um navio sul-coreano em março, que provocou a morte de 46 marinheiros.

Arte/iG
Coreia do Norte lançou disparos contra ilha sul-coreana

Com EFE e BBC

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