Após ataque contra Exército, Turquia persegue curdos no Iraque

Presidente promete retaliação contra militantes responsáveis por atentados que mataram 26 soldados turcos

iG São Paulo |

O Exército da Turquia entrou no território iraquiano nesta quarta-feira para perseguir militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), após ataques de militantes curdos terem deixado 26 soldados turcos mortos.

As tropas turcas cruzaram a fronteira com o Iraque e ingressaram de 3 a 4 quilômetros no norte do país vizinho em perseguição aos rebeldes, que na manhã de quarta-feira lançaram foguetes contra vários alvos militares.

AFP
Tropas turcas patrulham região de Hakkari, no sudeste do país

Além disso, a Força Aéra turca bombardeou refúgios curdos na região norte do Iraque, em particular na região de Qandil, principal base de retaguarda do PKK nas montanhas iraquianas. A rede de televisão NTV afirmou que as operações militares em represália pelo atentado deixaram ao menos 23 militantes mortos.

Ancara acredita que 2 mil rebeldes curdos estejam entrincheirados no norte iraquiano. Segundo autoridades turcas, pelo menos cem integrantes do PKK teriam participados dos ataques nas cidades de Cukurca e Yusekova, na província de Hakkari.

Autoridades turcas disseram que cerca de 100 combatentes do grupo PKK, ou Partido dos Trabalhadores do Curdistão, lançaram ataques simultâneos durante a madrugada em sete postos remotos do Exército na província de Hakkari, na fronteira sudeste da Turquia com o Iraque.

O presidente americano, Barack Obama, condenou o ataque.

"Os Estados Unidos vão continuar nossa forte cooperação com o governo turco enquanto trabalham para derrotar a ameaça terrorista do PKK e para levar paz, estabilidade e prosperidade a todos os povos do sudeste da Turquia", disse o líder dos EUA, em um comunicado.

Quem também apresentou suas críticas ao atentado foi o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon. "O secretário-geral manifestou a preocupação com esses ataques e considera inaceitável que o território iraquiano seja usado para organizar atentados contra países vizinhos", disse seu porta-voz, Martin Nesirky.

"A soberania e a integridade territorial da Turquia e do Iraque devem ser respeitadas", acrescentou Ban, que exortou "o Iraque e a Turquia a realizar um diálogo construtivo para encontrar uma solução pacífica para esse desafio", acrescentou o porta-voz.

Foi o maior ataque ao Exército turco desde que o PKK iniciou a luta armada, em 1984, dando início a um conflito que deixou milhares de mortos.

Os curdos, que representam cerca de 20% das 74 milhões de pessoas que vivem na Turquia, exigem mais direitos políticos e culturais.

O presidente turco, Abdullah Gul, prometeu uma retaliação “muito grande” pelo ataque contra os soldados. "A luta continuará até que esse terror acabe", afirmou.

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, cancelou uma visita ao Casaquistão e convocou uma reunião de emergência com os ministros do Interior e da Defesa, bem como os chefes da inteligência e principais generais.

Com BBC, Reuters e AFP

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