Após ataque a Bush, sapatada virou forma comum de protesto

O jornalista iraquiano Muntadar al-Zaidi inspirou um novo estilo de protesto público ao atirar um sapato no então presidente americano, George W. Bush, durante uma entrevista coletiva no Iraque, em dezembro do ano passado.

BBC Brasil |

O protesto ultrapassou fronteiras e sapatadas parecem ter se tornado uma das formas de manifestação favoritas da Índia à Letônia.

As sapatadas também inspiraram shows de comédia, videogames e grupos de relacionamento virtual em todo o mundo.

Até nas eleições gerais da Índia, no último mês de abril, após uma verdadeira onda de sapatadas contra diversas personalidades, um analista chegou a afirmar que o ato era "o máximo em arma não violenta".

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também achou a metáfora da sapatada boa demais para passar em branco.

Poucos dias depois do incidente com Bush, em uma reunião de chefes de Estado da América Latina, Lula ameaçou, de brincadeira, atirar um sapato no presidente venezuelano Hugo Chávez, que era o maior crítico de Bush no continente.

O episódio da sapatada continuou inspirando outros protestos ao redor do mundo.

Em Sarajevo, no dia 3 de janeiro, centenas de manifestantes bósnios expressaram sua revolta contra imagens de políticos croatas, muçulmanos e sérvios atirando contra elas sapatos fornecidos pelos organizadores do evento.

Em Londres, manifestantes atiraram mil calçados na residência oficial do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em um protesto contra a falta de ação do governo diante da crise na Faixa de Gaza.

Em fevereiro, na cidade de Cambridge, também na Grã-Bretanha, o estudante alemão Martin Jahnke atirou um sapato contra o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, que proferia uma palestra na universidade.

Na época, o estudante defendeu sua forma de protesto dizendo ser um ato simbólico de desafio, inspirado pelo notório ataque a Bush.

Alguns jornais chineses manifestaram irritação com o incidente e outros elogiaram a reação de tranquilidade do premiê Wen.

Onda de sapatadas
E nem o sóbrio ambiente da sala da diretoria de empresas escapou das sapatadas.

Em abril, sapatos foram lançados contra integrantes da diretoria do grupo financeiro Fortis durante uma reunião com acionistas, na cidade de Ghent, na Bélgica.

Mas a campanha mais prolongada de sapatadas foi na Índia, durante as eleições gerais, em abril.

Em um incidente, o atirador foi um guru hindu que lançou um calçado contra um candidato a primeiro-ministro.

Em outra ocasião, um cientista especializado em computação lançou um sapato contra o primeiro-ministro Manmohan Singh, em um comício na cidade de Ahmedabad, no oeste do país.

Um jornalista que atirou um sapato contra o ministro do Interior da Índia, P. Chidambaram, durante uma entrevista coletiva na capital, Nova Déli, disse mais tarde que não deveria ter feito isso, mas que foi "tomado pela emoção".

Em maio, o ato de atirar sapatos como sinal de descontentamento chegou a Kuala Lumpur, na Malásia. Em um incidente, cerca de 500 malaios atiraram calçados contra uma imagem do presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, diante do prédio das Nações Unidas.

Este foi um protesto contra a morte de civis pelo governo do país em sua campanha contra os rebeldes do grupo Tigres de Libertação da Pátria Tâmil.

Desde então, poucos episódios de sapatada foram noticiados. Mas a velocidade com que o protesto original de Zaidi se transformou em fenômeno global indica que ele dificilmente será esquecido.

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