Bogotá, 26 ago (EFE).- Após uma longa e cansativa sessão que durou mais de oito horas, a Câmara de Representantes adiou para hoje a votação do referendo sobre a possibilidade de o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tentar uma segunda reeleição, em 2010.

A sessão começará a partir das 15h (17h, Brasília) desta quarta-feira, segundo ficou estipulado pela secretaria da Câmara.

Apesar da votação do referendo não ter ocorrido nesta terça-feira, como foi planejado, os partidários do presidente Uribe confiam em ter o apoio necessário para levar adiante o referendo.

O adiamento foi devido às extensas discussões ocorridas até que se estabelecesse que todos os legisladores poderiam votar, já que alguns deles estão submetidos a uma investigação da Suprema Corte de Justiça.

Da mesma forma que na votação da semana passada no Senado, houve denúncias de ofertas de compensações para alguns legisladores, entre eles José Rozo, que disse que levará o caso à Promotoria.

Minutos depois, a denúncia foi desmentida pelo ministro de Interior e Justiça, Fabio Valencia, que reiterou a limpeza e a clareza do Governo no debate do referendo.

Após sua aprovação, na semana passada pelo Senado, se esperava que a Câmara de Representantes abordasse esta terça-feira o assunto, mas as discussões prévias de outras iniciativas estenderam a sessão e não permitiram que a votação acontecesse.

De todos os modos, se a Câmara, em sua próxima sessão, aprovar o texto do referendo, a iniciativa fica para o exame da Corte Constitucional, que o submeterá a um estudo para verificar se a iniciativa está de acordo com o que diz a Carta Magna.

A corte terá, então, entre 60 e 90 dias para entregar sua posição e, caso aprove o controle constitucional, o Governo deverá fazer um decreto que permita a consulta.

Em um país onde a abstenção nos últimos tempos foi alta, Uribe precisa também fazer com que pelo menos sete milhões e meio de pessoas, de um total de 30 milhões de eleitores, votem para validar o referendo.

O presidente já chegou a perder um plebiscito "contra a corrupção e a politicagem", que impulsionou em seu primeiro Governo, porque a abstenção foi maior e não conseguiu votos suficientes para que fosse válido.

Segundo o legislador governista Roy Barreras, o Partido Social da Unidade Nacional, de Uribe, já tem assegurados pelo menos 90 votos, frente ao mínimo de 84 necessários para levar adiante o referendo.

Na semana passada, o Senado aprovou o referendo sobre a reeleição em meio à retirada do esquerdista Pólo Democrático Alternativo (PDA) e do Partido Liberal (PL). EFE ocm/rr

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