Após absolvição, Amanda Knox se prepara para voltar aos EUA

Americana e ex-namorado eram acusados de ter matado uma jovem de 21 anos durante 'jogo sexual' na Itália em 2007

BBC Brasil |

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A americana Amanda Knox, libertada na segunda-feira com o ex-namorado Rafaelle Sollecito após a Justiça italiana reverter a condenação dos dois pelo assassinato da britânica Meredith Kercher, em 2007, se prepara para retornar ainda nesta terça-feira à sua cidade natal, Seattle, nos Estados Unidos.

Knox, de 24 anos, e o italiano Sollecito, de 27, passaram quase quatro anos presos na Itália. Eles haviam sido condenados em 2009 a 26 e 25 anos de prisão, respectivamente, pelo assassinato de Kercher, de 21 anos, na cidade italiana de Perugia, no que a promotoria afirmou ter sido um jogo sexual brutal que deu errado.

A acusação anunciou que recorrerá da decisão à Suprema Corte, mas ainda assim não há nenhum impedimento legal para que Knox saia do país. O deputado italiano Rocco Girlanda, que organizou uma campanha por sua absolvição, confirmou que ela viajaria a Seattle em um voo saindo de Roma nesta terça-feira.

Ainda que a Justiça italiana reverta mais uma vez a decisão e confirme a condenação, há poucas chances de que ela possa ser extraditada no futuro dos Estados Unidos de volta à Itália.

A família de Kercher, que acompanhou o julgamento da apelação de Knox e Sollecito em Perugia, afirmou em um comunicado não entender como o veredicto original pode ser tão "radicalmente revertido". A família afirmou, porém, acreditar no sistema de Justiça italiano e disse esperar que "a verdade eventualmente apareça".

Eles haviam reclamado anteriormente que Kercher, a vítima do caso, havia sido praticamente esquecida por conta da publicidade em torno de Knox. O caso ganhou grande atenção da mídia na Europa e nos Estados Unidos.

Amostra de DNA

A corte de apelação acatou o argumento da defesa, que considerou inválida a principal prova contra Knox e Sollecito, uma mostra de DNA encontrada em uma faca de cozinha na cena do crime. O material não foi colhido segundo as recomendações internacionais, sendo manipulado com uma sacola plástica, e não com o papel adequado.

Já a acusação chegou a pedir que as sentenças fossem aumentadas para prisão perpétua, devido a "provas consideráveis de que o casal esteve na cena do crime". Os promotores já disseram que vão apelar contra a decisão.

Após a decisão da Justiça nesta segunda-feira, a família de Knox afirmou que ela "sofreu por quatro anos por um crime que não cometeu". Em uma declaração à imprensa em frente ao tribunal, a irmã de Knox, Deanna, afirmou: "Estamos agradecidos ao tribunal por ter tido a coragem de olhar para a verdade e reverter esta condenação".

Ela afirmou que "acabou o pesadelo" da irmã e pediu privacidade para que a família possa se recuperar "dessa experiência terrível".

O advogado de Knox, Carlo Della Vedova, afirmou que "não há vencedor" no caso e disse que a corte de apelações apenas "retificou um erro". "Meredith era amiga de Amanda - não deveríamos nunca esquecer disso, e precisamos respeitar a dor de todas as famílias", disse ele à BBC.

O pai de Sollecito, Francesco, afirmou ter se permitido "derramar algumas lágrimas" após o veredicto e afirmou que o tribunal lhe "devolveu" seu filho.

'Jogo Sexual'

Kercher e Knox eram estudantes e faziam intercâmbio em Perugia na época do crime. Elas dividiam a mesma casa, onde o corpo de Kercher foi encontrado no dia 2 de novembro de 2007, com a garganta cortada e parcialmente vestida.

Durante o julgamento, Knox foi descrita por advogados como "uma bruxa" e como uma pessoa com dupla personalidade, com um lado "angelical, bom, misericordioso e de algumas formas até santo" e outro "demoníaco, satânico, diabólico".

Na segunda-feira, Knox fez uma declaração emocionada , negando envolvimento. "Eu não fiz as coisas que dizem que fiz.

"Eu não matei, estuprei ou roubei", disse. "Estou pagando com minha vida por coisas que não fiz. Insisto, após quatro anos de desespero, em nossa inocência", afirmou a americana, presa desde 2007.

A defesa comparou a americana à personagem Jessica Rabbit, do filme Uma Cilada para Roger Rabbit, dizendo que criou-se uma imagem de uma mulher calculista, libertina e aproveitadora para Knox, mas que na verdade ela era "fiel e amorosa".

O advogado até usou uma frase do filme de animação: "(Ela) não é má. Ela só foi desenhada assim."

Além de Knox e Sollecito, uma terceira pessoa foi condenada pelo assassinato de Kercher em um julgamento separado. Rudy Guede, de 24 anos, foi condenado a 30 anos de prisão em 2008, mas após um recurso, a pena foi reduzida para 16 anos.

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