Um novo relatório divulgado nesta quinta-feira sobre a queda do avião da Air France que deixou 228 mortos no dia 1º de junho na rota entre o Rio de Janeiro e Paris diz que ainda não é possível estabelecer as causas do acidente. Os investigadores da BEA (o Bureau de Investigações e Análises francês) disseram que os sensores Pitot de velocidade da aeronave teriam congelado durante o voo, mas afirmam que isso seria apenas um dos fatores numa série de eventos que podem ter contribuído para a queda.

"Neste estágio, apesar das análises extensivas realizadas pela BEA com base nas informações disponíveis, ainda não é possível entender as causas e as circunstâncias do acidente", diz o relatório.

O avião da Air France caiu em junho passado a cerca de 1.000 quilômetros de distância da costa brasileira. Até agora foram encontrados pedaços do avião e 51 corpos. Mas as caixas-pretas e a maior parte da fuselagem não foram encontradas.

Os investigadores já disseram que, sem as caixas-pretas, pode ser que as causas definitivas do acidente nunca sejam descobertas.

A principal fonte de informações sobre o acidente são as mensagens automáticas enviadas pelo avião para a base de manutenção, relatando o mau funcionamento dos sensores de velocidade do aparelho.

As buscas pelas caixas-pretas deverão ser retomadas no início de fevereiro.

Recomendações
Os investigadores também disseram que o voo AF 447 trafegava a uma grande altitude através de uma zona tropical conhecida pelas formações de nuvens densas, mas não avançaram no esclarecimento das causas do acidente.

Eles recomendaram uma análise mais profunda da composição das massas de nuvens em grande altitude pelas quais os aviões trafegam e uma avaliação da certificação das aeronaves com base nessas conclusões.

Além disso, o relatório pede mudanças para facilitar a localização das caixas-pretas dos aviões, que registram os dados do voo, após eventuais acidentes.

O relatório divulgado nesta quinta-feira em Paris pede ainda a adoção de novos padrões de testes para os sensores Pitot. Segundo a BEA, o bloqueio dos sensores provocaria o envio de falsas medidas de velocidade para os computadores de bordo do avião.

No relatório divulgado nesta quinta-feira em Paris, os investigadores da BEA dizem ter identificado 32 casos entre 12 de novembro de 2003 e o dia do acidente nos quais dois ou mais dos sensores de velocidade teriam congelado durante o voo.

A BEA já havia ordenado anteriormente a troca dos sensores europeus Pitot em todos os Aribus A330 e A340 por um sensor fabricado nos Estados Unidos.

Sindicatos de pilotos e grupos de parentes de vítimas do acidente acusaram a Air France e a Airbus de ignorarem os problemas recorrentes com os sensores Pitot antes da queda do voo AF 447.

Mas as duas empresas afirmam que suas aeronaves cumpriam com todos os padrões de segurança.

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