Após 5 dias de bombardeios, Gaza começa a identificar seus mortos

Saud Abu Ramadã. Gaza, 31 dez (EFE).- Uma Gaza às escuras, com as ruas desertas, sem água e sem energia começou a identificar os seus mortos, ao passo que Israel prossegue com os bombardeios aéreos sobre a faixa territorial e permanece firme em sua postura de descartar uma trégua com o Hamas.

EFE |

A primeira lista oficial de vítimas da atual escalada de violência na Faixa de Gaza foi divulgada esta manhã, com os nomes de 187 pessoas que morreram nas primeiras 48 horas da ofensiva militar israelense, hoje em seu quinto dia e que já deixou quase 400 mortos.

Na tarde desta quarta-feira, o porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza, Omar al-Nasser, divulgou outro documento, com os nomes de 300 vítimas fatais dos confrontos.

Segundo Nasser, que destacou que uma nova lista com os nomes dos feridos está sendo preparada, os mortos desde o início dos bombardeios são 393, enquanto as pessoas com ferimentos já passam de 1.900.

As primeiras estimativas indicam que cerca de 40% das vítimas fatais (160) dos ataques são civis, informou o chefe dos serviços de emergência de Gaza, Moaweya Hasanein.

Assim que todos forem identificados, o Ministério da Saúde entregará uma lista às organizações humanitárias para que medidas legais contra Israel sejam tomadas.

Porém, muitos habitantes de Gaza não pensam agora em processos, mas em encontrar seus familiares, para o que percorrem os hospitais lendo com ansiedade as listas de vítimas, com a esperança de não encontrarem nelas os nomes de seus entes queridos.

Desde que começaram os ataques, a maioria da população vive trancada dentro de casa, sem água nem luz. O único som ouvido na Faixa de Gaza é o dos bombardeios, das ambulâncias e dos aviões não tripulados de Israel, que não param de sobrevoar a região.

Também desde sábado, Gaza não tem Polícia, já que os agentes da instituição foram um dos principais alvos dos ataques israelenses.

Tampouco é possível recorrer ao Governo do Hamas, cujos dirigentes, em sua maioria, vivem na clandestinidade.

O caos no território, a dramática situação nos hospitais, o elevado número de vítimas e as dificuldades de comunicação complicaram e retardaram os trabalhos de identificação dos cadáveres. Além disso, fizeram aumentar a ansiedade dos palestinos que não conseguem ter notícias de seus parentes.

A aviação israelense, por sua vez, prossegue com seus bombardeios, uma vez que o Governo de Israel descartou a proposta francesa de aceitar uma "trégua humanitária" de 48 horas com o Hamas.

Em comparação com os últimos quatro dias de ataques, a mortes registradas hoje são poucas. Segundo Hasanein, apenas três pessoas morreram nesta quarta, entre elas um médico e uma profissional de saúde, atingidos por fogo israelense enquanto tentavam socorrer vários feridos no norte da Faixa de Gaza.

Na verdade, as condições climáticas têm dificultado o trabalho dos pilotos israelenses, que, por conta das constantes chuvas e das densas nuvens, não conseguem acertar a pontaria.

Mesmo assim, a aviação israelense já efetuou hoje cerca de 20 ataques, informou à Agência Efe uma porta-voz do Exército de Israel.

Entre os alvos atingidos, disse a fonte, estariam vários armazéns de armas, incluindo uma mesquita, na qual, segundo a inteligência militar, o Hamas guardava artefatos explosivos.

As milícias palestinas também não se intimidaram. Até o momento, já lançaram 40 foguetes contra localidades israelenses como Ashkelon, Ashdod e Sderot, alguns dos quais, pela primeira vez, atingiram a cidade de Be'er Sheva.

As Brigadas al-Aqsa, braço armado do Hamas, já disseram que continuarão "disparando contra as cidades sionistas inimigas para vingar o enorme massacre cometido contra o povo" palestino.

Mais cedo, o movimento islâmico divulgou um comunicado no qual dizia ter realizado a reunião semanal de seus ministros e pedia aos líderes árabes que atuem imediatamente para frear a ofensiva israelense.

"Gaza está sofrendo um ataque feroz e bárbaro por parte da ocupação israelense", escreveu o Hamas, que acrescenta que "os árabes devem ajudar a salvar as vidas dos palestinos em Gaza". EFE Sar/sc

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