Cinco províncias estudam permitir segundo herdeiro, se um dos pais for filho único, para enfrentar o envelhecimento populacional

O governo chinês analisa a possibilidade de relaxar a política do "filho único", implantada há 30 anos, para enfrentar problemas como o envelhecimento da população, disseram assessores governamentais que nesta semana debatem em Pequim propostas para o período 2011-2015.

Criança vestindo fantasia tradicional caminha com seus pais na Praça da Paz Celestial, em Pequim (02/03/2011)
AP
Criança vestindo fantasia tradicional caminha com seus pais na Praça da Paz Celestial, em Pequim (02/03/2011)
Cinco províncias avaliam permitir um segundo herdeiro, caso um dos pais seja filho único (atualmente isso só é possível quando os dois progenitores não têm irmãos), declarou ao jornal "South China Morning Post" o delegado Li Jichun, que participa da plenária anual da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh, principal órgão assessor estatal).

Propostas similares apresentadas em 2007 foram rejeitadas por temores de um aumento excessivo da população ativa que não possa ser absorvida pelo mercado de trabalho, mas a questão do envelhecimento dos chineses trouxe o assunto novamente à tona, revela nesta terça-feira o "South China Morning Post".

Atualmente, 8,5% da população chinesa têm mais de 65 anos, mas caso a tendência atual seja mantida, essa porcentagem poderia ser dobrada em 2030 (17,5%).

A política do filho único foi implantada no final de 1970 para frear a superpopulação na China e, segundo as estatísticas governamentais, conseguiu frear o crescimento demográfico anual de 1,35 milhão de novos habitantes por ano em 1980 para os 630 mil atuais.

Os partidários do relaxamento da política também alegam motivos sociológicos, já que o excesso de "filhos únicos" nas cidades chinesas criou as chamadas "gerações de imperadores", com indivíduos cada vez mais egoístas e caprichosos.

Também há pressões do exterior. O legislador americano Chris Smith pediu na segunda-feira que a ONU condene a política do "filho único", já que durante décadas causou indiretamente violações de direitos humanos como esterilizações e abortos forçados.

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