Após 15 anos de democracia, desigualdade persiste na África do Sul

Johanesburgo, 21 abr (EFE).- Quinze anos depois do fim do regime segregacionista do apartheid, a população da África do Sul vai amanhã às urnas para participar da quarta eleição democrática de um país que, apesar de gozar de estabilidade política, ainda possui graves problemas envolvendo pobreza e desigualdade social.

EFE |

As diferenças entre a classe média da África do Sul e a classe operária são mais que evidentes nas ruas de Johanesburgo, a capital financeira do país.

O luxuoso bairro de Sandton, com carros de luxo e residências extravagantes, distoa em grande medida das condições de vida de centenas de milhares de habitantes dos inúmeros guetos da cidade, muitos dos quais não dispõem de água corrente ou eletricidade.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indica que o problema da pobreza e suas manifestações, o desemprego e o déficit no setor educacional são as maiores ameaças ao desenvolvimento econômico da África do Sul.

"Apesar de a estrutura da economia ter mudado de forma muito grande, existem notáveis debilidades na África do Sul, como o desemprego, a desigualdade e a pobreza", declarou o secretário da OCDE. O desemprego afeta mais de 50% dos menores de 24 anos.

Por outra parte, o Instituto Sul-Africano de Relações Raciais afirma em relatório que o número de habitantes que vive com menos de US$ 1 por dia duplicou nos últimos dez anos, o que supõe mais de quatro milhões dos 48 milhões de habitantes do país.

"Usando os parâmetros aceitos internacionalmente, a pobreza na África do Sul cresceu tanto em termos absolutos como relativos", assegura o autor do estudo, Marius Roodt, que classifica esse aumento como "dramático".

O crescimento da pobreza se deveu ao aumento do desemprego e do subemprego, que atingem cerca de 40% da população economicamente ativa, segundo estudos privados, embora a taxa oficial seja de 24%.

À pobreza e às desigualdades sociais na África do Sul se une a pandemia de HIV, que afeta mais de 5,5 milhões de pessoas no país.

Calcula-se que cerca de mil pessoas morrem por dia na África do Sul por causa da aids, e por isso o Ministério da Saúde local iniciou um programa pelo qual 220 mil receberão tratamento antirretroviral gratuito este ano - 700 mil já contam com essa ajuda.

No entanto, segundo informa a ONG Médicos Sem Fronteiras, dirigentes do Ministério da Saúde sul-africano admitiram que faltam 76 milhões de euros para que seus objetivos sejam conquistados.

Apesar da falta de orçamento, o Congresso Nacional Africano (CNA), partido governista favorito nas presidenciais desta quarta-feira, afirma em seu programa eleitoral que pretende reduzir o número de infectados pelo vírus em mais de 50% e fornecer tratamento a 80% dos doentes.

As infecções por HIV ocorrem em grande parte em vítimas de violações: na África do Sul, que tem um dos índices de criminalidade mais altos do mundo, ocorrem em média 500 mil agressões sexuais por ano, o que supõe quase um caso por minuto.

A Médicos Sem Fronteiras alerta que oito em cada nove violações não são denunciadas e que, "em algumas áreas do país, as agressões sexuais se transformaram em algo normal".

O CNA assegura, por sua vez, que nos próximos cinco anos combaterá a delinqüência "sendo mais duro com os criminosos e aumentando o treinamento e os salários dos policiais". EFE hc/fr

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