Após 13 anos, conservadores se aproximam do poder no R.Unido

Viviana García. Londres, 4 mai (EFE).

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Viviana García. Londres, 4 mai (EFE).- Após 13 anos de uma "travessia pelo deserto", na qual mudaram quatro vezes de líder, os conservadores britânicos estão mais perto do poder, mas sem surgir como uma contundente alternativa de Governo. O partido, o mais antigo do Reino Unido e que durante grande parte do século XX controlou os eixos da política britânica, acredita que desta vez seu jovem e carismático líder, David Cameron, consiga as chaves da casa no número 10 de Downing Street. Mas o que há seis meses aparecia como uma vitória quase segura dos "tories" - como também são conhecidos - nas eleições gerais deste 6 de maio, a julgar pelas pesquisas de intenção de voto, a vitória do primeiro partido da oposição britânica não está hoje tão clara e a sorte, inclusive, pode jogar contra ele. A corrida pelo poder é imprevisível já que a diferença nas pesquisas dos três principais partidos - conservadores, trabalhistas e liberal-democratas - é muito pequena, com uma ligeira vantagem, no entanto, dos conservadores. Os analistas já falam de um Parlamento sem clara maioria, algo pouco comum no Reino Unido, onde o sistema eleitoral de maioria simples em um só turno favorece o bipartidarismo entre as duas legendas tradicionais: trabalhistas e conservadores. O que aconteceu com os conservadores para esta queda nas pesquisas em apenas seis meses? Apesar dos esforços de Cameron para apresentar um partido renovado, novo defensor das classes desfavorecidas e dos serviços públicos, os "tories" não conseguem se distanciar do selo que os identifica há décadas: domínio dos ricos, da classe média branca, preconceituoso com minorias étnicas e indiferentes à população sem recursos. A legenda chegou a ser catalogada como "Nasty Party" (partido malvado), uma "marca" que Cameron se esforçou para "descontaminar" desde que assumiu suas rédeas no ano de 2005, segundo afirma o escritor Tim Bale em seu livro "The Conservative Party: From Thatcher to Cameron" ("Partido Conservador: de Thatcher a Cameron", em tradução livre). Educado no colégio mais elitista do país, o Eton, e procedente de um ambiente familiar privilegiado, no qual abundam os títulos de nobreza, Cameron representa essa sociedade na qual o mérito conta menos que um sotaque inglês polido, como o de quem entrou para Oxbridge (Universidades de Oxford e Cambridge). Essa imagem ainda surge nesta campanha eleitoral, na qual os comentaristas destacaram a grande quantidade de "etonianos" (educados em Eton) que Cameron tem em seu entorno político, apesar de querer abrir as portas do partido às minorias étnicas. Para conseguir votos, Cameron se distanciou da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, à qual quase não menciona, e atraiu para seu círculo políticos como Kenneth Clarke, ex-ministro da Economia e Interior, uma figura destacada, mas que teve problemas com outros líderes conservadores por causa de seu forte europeísmo. Além disso, Cameron defendeu que sua legenda está no centro político, que quer um país menos obsessivo com o tipo de formação recebida e mais atento à responsabilidade individual e ao que cada um pode oferecer à sociedade. Ele também se mostrou sensível com as classes menos favorecidas, pois prometeu ajudar os que vivem dos subsídios estatais a sair desse ciclo de pobreza, com propostas para formá-los a fim de que possam entrar no mercado de trabalho. É assim como o político abraçou o conceito de "conservadorismo compassivo", a tal ponto que no ano passado a revista conservadora "The Spectator" publicou em sua capa um David Cameron vestido como Che Guevara, com a boina e o cabelo enrolado do guerrilheiro argentino-cubano. Seja como for, esta campanha eleitoral é uma "corrida aberta" porque desta vez, como poucas vezes na história deste país, não há um claro vencedor. EFE vg/ma/mh

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