Após 12 dias de cessar-fogo, esperança em Gaza começa a desaparecer

Saud Abu Ramadán Gaza, 1 jul (EFE).- Já se passaram 12 dias desde que entrou em vigor em Gaza o cessar-fogo entre Israel e Hamas, porém os sonhos de uma vida melhor dos habitantes da empobrecida e superpovoada Faixa palestina começam a desaparecer.

EFE |

"Nada mudou. Não vemos entrar cimento nem materiais de construção em Gaza. Não queremos que entre apenas frutas israelense", reclama Rami Ghaben, um desempregado de 42 anos.

Foram 12 meses de duras restrições comerciais, energéticas e de movimento desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa após expulsar à força os corpos de segurança leais ao presidente palestino e líder do Fatah, Mahmoud Abbas.

Agora, no entanto, após quase duas semanas de uma trégua que deveria levar a um relaxamento do cerco, os habitantes da Faixa praticamente não percebem melhoras na difícil situação.

Parte da culpa sobre isso é dos braços armados do Fatah e da Jihad Islâmica, que levaram Israel a bloquear novamente as passagens fronteiriças ao lançar projéteis contra o Estado judeu, ignorando os termos da cessação das hostilidades.

Os grupos ligados ao Fatah que violam a trégua fazem parte do núcleo mais radical de seu braço armado, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa. Algumas dessas ramificações ignoram há anos as ordens da cúpula política, embora se neguem a assumir que estão relacionadas com o movimento nacionalista palestino.

Segundo esse pacto, alcançado com mediação egípcia, as milícias palestinas têm que parar de lançar foguetes e bombas contra Israel, que deve, por sua parte, suspender suas operações militares em Gaza e levantar progressivamente o bloqueio a esse território palestino.

Hoje, por exemplo, as fronteiras voltaram a ser fechadas e deixaram Gaza, como gostam de dizer os palestinos, em mais um dia como a "maior prisão do mundo".

Neste contexto de incerteza, exportações proibidas e importações a conta-gotas, Maher Hassanien se desespera.

Comerciante de materiais de construção, Hassanien já está há 12 meses sem receber uma única carga devido ao bloqueio israelense e, segundo advertem seus parceiros no país vizinho, assim seguirá sendo "até a libertação de Gilad Shalit".

O soldado israelense Shalit está preso em Gaza nas mãos de milícias palestinas há dois anos.

O Hamas pede a libertação de centenas de presos palestinos em troca de Shalit e Israel diz que a passagem fronteiriça entre Gaza e Egito seguirá fechada até que o jovem soldado seja devolvido com vida.

Para o motorista de táxi Abu Mohammed, estas discussões pouco importam. Ele vê "minguar a vida em Gaza, começando pelos cupons para o diesel e seguindo pelo bujão de gás de cozinha" que quando tem "sorte vem cheio até a metade".

Como muitos outros, seu veículo fica durante horas em filas nos postos de gasolina para tentar obter combustível derivado do petróleo, que na Faixa de Gaza está escasso desde que, há nove meses, Israel reduzisse sua provisão ao território.

Em represália aos foguetes lançados por palestinos, Israel vende para Gaza apenas 30% das necessidades de combustível da Faixa, segundo dados da autoridade petrolífera palestina.

Esta carência empurrou para o mercado negro taxistas como Azmi, incapaz de cumprir sua jornada de trabalho com a cartilha de racionamento de 20 litros dada pelo Ministério de Transporte do Governo do Hamas em Gaza.

"Espero que o combustível derivado do petróleo volte a circular e acabe esta opressão", diz este taxista, pai de onze filhos.

O Hamas acusa Israel de descumprir o acordo sobre o tipo de bens que devem entrar em Gaza em meio à trégua.

Nos dias em que as passagens são abertas, entram em Gaza cerca de 80 caminhões com bens e combustível derivado do petróleo, um número maior que os 60 que transitavam antes do cessar-fogo.

"As cargas de produtos básicos e combustível derivado do petróleo são muito reduzidas", denuncia Fawzi Barhum, porta-voz do movimento islamita, que promoveu o cessar-fogo.

Não se atende "às necessidades humanitárias mais básicas", diz Ghaben em uma boa amostra de que, após anos de constante declive e 12 meses de ferrenho bloqueio, a esperança em Gaza diminui como o abastecimento de combustível.

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