Após 12 anos de cativeiro, chega a hora da liberdade para Moncayo

Àlex Cubero. Florença (Colômbia), 29 mar (EFE).- O sargento do Exército colombiano Pablo Emilio Moncayo deve ser libertado amanhã após ter passado 12 anos em poder das Farc, caso a operação humanitária que se desenvolverá no sul da Colômbia termine bem.

EFE |

Animada pela bem-sucedida primeira fase da operação, na qual o soldado Josué Daniel Calvo foi libertado sem problemas, a comissão responsável por realizar a troca humanitária preparava hoje os últimos detalhes da operação.

"Esperamos que como ontem a operação também seja impecável", disse o alto comissário para a paz do Governo da Colômbia, Frank Pearl, na sua chegada a Florença, capital do departamento de Caquetá (sul).

As libertações de Calvo e Moncayo, que segundo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) serão as últimas efetuadas de maneira unilateral, não são "um favor" por parte da guerrilha, mas um "gesto humanitário mínimo", disse Pearl à Agência Efe.

Pearl já está na calorosa Florença junto com tripulação brasileira e os representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da Igreja Católica que fazem parte da comissão e devem partir da cidade para regatar o soldado.

A senadora Piedad Córdoba, mediadora perante as Farc e cabeça da missão, deve chegar a cidade nas próximas horas assim como dois familiares de Moncayo, tratado pela imprensa colombiana como a pessoa sequestrada há mais tempo no mundo.

No entanto, em poder das Farc o cabo José Líbio Martínez, que foi capturado em uma base militar do sudoeste da Colômbia no dia21 de dezembro de 1997, ainda está em poder das Farc, da mesma forma que Moncayo.

O Governo colombiano anunciou que as operações militares ficarão suspensas em uma área da selva de Caquetá a partir das 18h locais (20h, Brasília) de hoje até às 6h local (8h, Brasília) de quarta-feira.

Rosalba Alemán, uma das porta-vozes do CICV, informou aos jornalistas que foi preparado um plano de contingência para uma possível chegada de Moncayo a San José, capital do departamento de Guaviaré, no lugar da Florença.

Além de ser um dos reféns mais antigos, o país seguiu de perto o cativeiro de Moncayo através de suas provas de vida otimistas, nas quais tratava de minimizar o drama de sua situação e, inclusive, encorajava seus familiares.

Seu pai, o professor Gustavo Moncayo, teve um papel muito importante para que o caso não caísse no esquecimento.

Para pedir a libertação de seu filho e dos outros reféns, ele fez passeatas de até três mil quilômetros por 14 países, com as mãos e o pescoço atados com correntes, que o fizeram merecedor do sobrenome "Caminhante pela paz".

Após a libertação de Moncayo, as Farc colocam um acordo humanitário como alternativa, pelo qual seriam os sequestrados seriam trocados por guerrilheiros presos.

Se Moncayo ficar livre amanhã, como o previsto, a lista de reféns "passíveis de troca" se passará para 21 policiais e militares.

O presidente Álvaro Uribe disse ontem que é a favor da troca, com a condição de que "aqueles integrantes das Farc que cheguem a sair da prisão não retornem a delinquir".

Vários candidatos que aspiram à Presidência da Colômbia nas eleições do dia 30 de maio definiram hoje suas posturas sobre o acordo humanitário.

A candidata conservadora Noemí Sanín apoiou a posição do atual Governo, enquanto o aspirante do partido Mudança Radical, Germán Vargas Lleras, rejeitou o acordo humanitário com o argumento de que o sequestro não é um instrumento de luta.

Por sua vez, o liberal Rafael Pardo aceitou um acordo intermediado por um país como a Suíça e o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, disse ser a favor de um pacto colocado como o último e definitivo.

O independente Sergio Fajardo só considerou possível conseguir um acordo na Colômbia se se deixar de confundir a troca com uma negociação política. EFE ac-agp/pb

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