Os Estados Unidos e diversos países europeus fizeram nesta segunda-feira um apelo à Rússia para que não reconheça a Ossétia do Sul e Abecásia, regiões separatistas da Geórgia, como Estados independentes. Os apelos foram feitos depois que o Parlamento russo aprovou por unanimidade, em sessão extraordinária, uma moção que solicita ao presidente, Dmitri Medvedev, o reconhecimento da independência das regiões.

"Para nós, isso seria inaceitável", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Robert Wood. "A Rússia precisa respeitar a independência territorial e a soberania da Geórgia."
Grã-Bretanha, Alemanha e Itália alertaram para o risco de a medida aumentar as tensões na região do Cáucaso.

Mas para que o reconhecimento seja oficial, o Kremlin precisa ratificar a decisão do Parlamento.

Alguns analistas afirmam que a ratificação pelo Parlamento aumenta o poder de barganha do Kremlin em futuras negociações sobre Ossétia do Sul e Abecásia.

Uma estratégia possível seria não confirmar a decisão imediatamente, usando-a para testar a comunidade internacional.

Ainda nesta segunda-feira, a Casa Branca anunciou que o vice-presidente Dick Cheney visitará a Geórgia no mês que vem.

Nacionalismo
Segundo o correspondente da BBC em Moscou Humphrey Hawksley, a sessão das câmaras baixa e alta do Parlamento foi marcada por nacionalismo e rancor e revela um endurecimento na delicada relação da Rússia com os países ocidentais.

Na Duma, como é conhecida a Câmara Baixa do Parlamento, o hino nacional foi entoado e seguido de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do que os russos consideram uma "agressão da Geórgia".

Segundo o presidente da Câmara Alta, Sergei Mironov, as duas províncias possuem os atributos necessários de estados independentes.

Já o presidente da Duma, Boris Gryzlov, comparou a ação militar da Geórgia nas províncias separatistas com a invasão da União Soviética por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.

A Rússia entrou em confronto violento com a Geórgia neste mês depois que as tropas georgianas invadiram a província da Ossétia do Sul para recuperar o controle da região.

O confronto foi paralisado depois que os dois países assinaram um plano de paz proposto pela União Européia, que incluía a retirada imediata das tropas da região e o retorno à posição anterior ao conflito.

A Rússia já foi acusada de violar o plano de paz e anunciou que suas tropas irão fiscalizar as mercadorias que chegam ao porto de Poti, um dos principais da Geórgia. Além disso, o Exército russo não permitirá a ronda aérea de regiões patrulhadas por seus agentes de paz, chamadas "zonas de segurança".

Kosovo
De acordo com o líder rebelde da Ossétia do Sul, Edward Kokoity, que participou das sessões extraordinárias no Parlamento russo, a Ossétia e a Abecásia têm mais direitos de se tornarem nações reconhecidas pela comunidade internacional do que Kosovo.

Esse território declarou sua independência da Sérvia no início deste ano e contou com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da União Européia.

A Ossétia do Sul proclamou sua independência no início da década de 90, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer se unir à Federação Russa, como já é o caso da Ossétia do Norte.

A Abecásia declarou sua independência em 1992, mas também não obteve reconhecimento da comunidade internacional.

As tensões em ambas as regiões se intensificaram ainda mais depois que Mikhail Saakashvili foi eleito presidente da Geórgia em 2004, com a promessa de reunificar o país.

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