Apoio de Powell dá a Obama um importante impulso a poucos dias das eleições

Céline Aemisegger. Washington, 19 out (EFE).- O apoio que o candidato à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama recebeu hoje de Colin Powell, um dos homens mais poderosos do país durante o primeiro mandato de George W.

EFE |

Bush, dá ao democrata um importante impulso a pouco mais de duas semanas das eleições.

O apoio do ex-secretário de Estado americano (2001-2005), anunciado em entrevista ao programa "Meet the Press" da rede "NBC", representa um duro golpe para o candidato republicano, John McCain, não apenas porque é companheiro de partido e amigo há 25 anos de Powell, mas também porque ele aparece atrás de Obama nas últimas pesquisas.

O apoio de Powell ao democrata não é visto como um apoio qualquer ou comparável a outros que o senador conseguiu na campanha eleitoral.

O voto de confiança do ex-chefe da diplomacia americana e general reformado do Exército lhe dá um grande impulso em política externa e segurança nacional, áreas nas quais os críticos lhe atribuíram pouca experiência.

Apesar disto, McCain não se deixou impressionar pela decisão de Powell de apoiar publicamente seu adversário e, momentos depois do anúncio de seu novo apoio, ele se mostrou tranqüilo e confiante de que sairá vitorioso nas eleições de 4 de novembro.

Em entrevista ao programa "Fox News Sunday", McCain diminuiu a importância do anúncio de Powell ao afirmar que ele recebeu o apoio de outros quatro secretários de Estado republicanos.

Segundo a imprensa local, os ex-secretários que apóiam McCain são Henry Kissinger, James A. Baker III, Lawrence Eagleburger e Alexander Haig.

Além disso, ele afirmou que está "muito feliz" com o andamento de sua campanha e que esteve em atos suficientes para perceber o entusiasmo dos eleitores com sua campanha.

No meio da crise financeira e a apenas 16 dias das eleições, Obama lidera as pesquisas nacionais em muitos estados fundamentais - aqueles que podem decidir o pleito -, mas McCain diz acredita que as coisas estão a seu favor.

A última pesquisa publicada hoje pelos institutos Zogby, C-SPAN e Reuters dá a Obama uma vantagem de 47,8% a 45,1%, mas, comparando com os resultados de sábado, o senador por Illinois perdeu mais de um ponto percentual.

Por isto, ainda é necessário ver o impacto que o anúncio de Powell terá nas pesquisas.

O ex-secretário de Estado americano também falou de McCain, para quem não fez muitos elogios.

Powell disse que admira tudo o que McCain fez, mas, em inúmeras vezes, se mostrou "decepcionado" com o rumo que sua campanha tomou nas últimas semanas, com duros ataques a Obama e argumentos que "não são essenciais para os americanos".

Também criticou a decisão do candidato republicano à Casa Branca de escolher a governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata à Vice-Presidência, pois ele diz que ela não está preparada para ser presidente e substituir McCain caso seja necessário.

Também não vê com bons olhos a postura adotada por McCain em relação à crise financeira, o "exame final" dos candidatos na sua opinião, pois parece "um pouco inseguro sobre como abordar os problemas econômicos" e muda de posição a toda hora.

Já em relação a Obama, que ele disse ter conhecido muito bem nos últimos dois anos, só teve boas palavras.

"Demonstrou constância, curiosidade intelectual e um conhecimento profundo na hora de olhar os problemas e escolher um vice-presidente que acredito estar preparado para dirigir o país desde o primeiro dia", declarou Powell.

A campanha de Obama tem uma maneira mais "enriquecedora e global de atender às necessidades e aspirações de nossa gente. Cruza fronteiras raciais, étnicas e de gerações", afirmou o ex-chefe da diplomacia americana.

Segundo Powell, Obama alcançou o nível para ser um "líder bem-sucedido, um presidente excepcional", e é uma "figura transformadora e de gerações".

Powell, o quarto oficial de raça negra a alcançar a categoria de general de quatro estrelas na história militar dos EUA e o primeiro a ocupar a Chefia do Estado-Maior Conjunto, viu sua boa reputação manchada quando defendeu ante a Organização das Nações Unidas (ONU) a invasão do Iraque. EFE cae/ab/fal

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