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O presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou o presidente americano, George W Bush, de favorecer Israel, por causa de um discurso dele, feito no parlamento israelense na semana passada. O que o presidente disse no Knesset nos enfureceu, e para ser honesto, nós não aceitamos isso, disse Abbas neste domingo.

No discurso, por ocasião do aniversário de 60 anos da criação de Israel, Bush fez muitos elogios ao país, mas praticamente não fez menções aos palestinos.

Abbas disse ter mencionado seu descontentamento a Bush e pedido explicações.

"Tínhamos muito a falar sobre o assunto, e dissemos isso a ele no encontro de ontem (sábado), porque conversamos com ele de forma aberta, honesta e transparente. Pedimos a ele que mantenha uma posição equilibrada", afirmou o líder palestino.

Depois de jantarem juntos no sábado, Abbas e Bush falaram com a imprensa e o presidente palestino não havia dado nenhuma indicação de que estava irritado com Bush, chegando mesmo a defendê-lo de críticos que duvidavam que um acordo de paz na região possa ser alcançado.

Bush passou o fim de semana no balneário de Sharm el-Sheik, no Egito, num encontro promovido pelo Fórum Econômico Mundial e teve reuniões com vários líderes árabes.

Discurso
O discurso de Bush no Parlamento israelense, na semana passada, provocou fúria no mundo árabe, com reações fortes em vários jornais na região.

Críticos disseram que a fala do líder americano foi ofensiva e que mostrava apoio absoluto a Israel.

"O discurso inspirado na Torá levantou pontos de interrogação sobre a credibilidade do papel dos Estados Unidos no Oriente Médio", escreveu, no sábado, o editor do jornal estatal egípcio, Al-Ahram, Mursi Atallah.

"Bush não busca fazer nada a não ser agradar Israel", dizia a publicação.

No jornal Syria Times, o discurso de Bush foi descrito como uma bênção "à ocupação e aos agressores israelenses" e "uma promessa de ainda mais apoio ostensivo" a Israel.

Muitos árabes se referem à fundação do Estado de Israel, em 1948, quando muitos palestinos fugiram ou foram forçados a deixar suas casas, como "nakba", ou catástrofe.

Segundo o correspondente da BBC em Ramallah, na Cisjordânia, Aleem Maqbool, poucos palestinos vêem Bush como um negociador imparcial e a última visita do líder americano à região parece ter reforçado esta visão.

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