Apoio à OEA motiva veto de Chávez à declaração final da Cúpula das Américas

Linda Hutchinson. Port of Spain, 16 abr (EFE).- A aprovação da declaração final da quinta Cúpula das Américas, que começa amanhã em Port of Spain, ainda enfrenta o veto da Venezuela e de outros países por causa do forte apoio que o texto concede à Organização dos Estados Americanos (OEA).

EFE |

A minuta da declaração foi aprovada há duas semanas pelo Grupo de Revisão da Implementação da Cúpula (SIRG, em inglês), órgão político e de negociação responsável por coordenar a agenda da reunião, mas Venezuela e Nicarágua continuam rejeitando vários artigos.

Um deles é o artigo 57, que diz: "Reconhecemos o papel importante que a OEA representa na solução pacífica de nossas diferenças. Nos comprometemos a melhorar a capacidade da OEA, em seus esforços para ajudar o melhoramento da paz e a estabilidade democrática, social e econômica de nossa região".

Chávez confirmou hoje na cidade venezuelana de Cumaná que seu país, "junto com outros" que não identificou, vetará o documento final da cúpula, que será realizada neste fim de semana na capital de Trinidad e Tobago.

"Atualmente, a Venezuela essa declaração. Nós, junto com outros países, dizemos que não estamos de acordo com essa declaração", disse Chávez a jornalistas.

Hoje, se reúnem em Cumaná os governantes dos seis países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), mais o Paraguai e o Equador, para fixar posições comuns diante do encontro continental.

"Sobre a Cúpula das Américas, não temos grandes expectativas. Há uma declaração que é difícil de assimilar, porque está totalmente deslocada, como se o tempo não tivesse passado", disse o presidente venezuelano, sem dar mais detalhes.

Venezuela e Nicarágua manifestaram sua oposição a um apoio explícito à OEA ao considerar que o organismo interamericano teve um papel ambivalente na defesa dos direitos humanos e da democracia no continente.

Além disso, Chávez pediu novamente que Cuba seja readmitida na organização e que os Estados Unidos acabem com o embargo econômico à ilha, iniciado em 1962.

Luis Alberto Rodríguez, coordenador geral do secretariado da cúpula, descreveu o documento como "global, centrado no povo, relevante e receptivo às necessidades e preocupações reais dos cidadãos" e evitou comentar o andamento das negociações para resolver as objeções de Chávez.

Rodríguez evitou fazer mais comentários sobre as possibilidades de modificar o texto atual, à espera de que os chanceleres dos 34 países participantes se reúnam para buscar um consenso, embora tudo indique que os próprios chefes de Estado e de Governo serão os responsáveis por um eventual acordo.

O primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, assegurou que a minuta é bem diferente das declarações de outros encontros, opinando que contém todos os elementos de um plano "realizável".

A minuta, de 12 páginas e 66 artigos, destaca que seu valor reside em sua "implementação". Segundo Manning, é a "única via" por meio da qual a população "poderá experimentar um maior efeito dos benefícios do processo da cúpula".

O documento convoca os líderes do continente americano a promover a prosperidade por meio do desenvolvimento dos programas de proteção social especialmente criados para ajudar os grupos mais pobres e vulneráveis.

Outro ponto da minuta faz referência à necessidade de garantir o acesso pleno a serviços básicos como água, habitação, saúde e alimentação.

Nesse contexto, o texto reconhece a importância de eliminar a pobreza e a fome, de criar postos de trabalho e de aumentar os padrões de qualidade de vida para todas as populações. EFE lhj/bba

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