Apoio a Cuba e rechaço a OEA e EUA marcam Cúpula da Alba

Cumaná (Venezuela), 16 abr (EFE).- Os países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), junto a Paraguai e Equador, defenderam hoje Cuba, na véspera da 5ª Cúpula das Américas, e aprovaram um sistema monetário único de compensação regional (Sucre).

EFE |

Ao longo do dia, ocorreram vários discursos em apoio a Cuba na Cúpula da Alba em Cumaná, no leste venezuelano, que contou com a presença de líderes de, além da ilha caribenha, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Honduras, Nicarágua, Paraguai, São Vicente e Granadinas e Venezuela.

O debate para pactuar uma posição comum perante a cúpula de Trinidad e Tobago estava reservado para uma reunião a portas fechadas pela noite, durante uma "jantar de trabalho", como definiu o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Porém, acabou surgindo desde a sessão de abertura.

Nela, a rejeição à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à política dos Estados Unidos concorreu, em mesma intensidade, com os apoios que Cuba recebeu tanto por sua resistência ao bloqueio americano, como à defesa de seus princípios revolucionários.

Chávez, como anfitrião, começou a ofensiva afirmando que "junto a outros" - sem citar nomes - vetará a declaração final da Cúpula das Américas.

O presidente explicou que a declaração "é difícil de assimilar", por "estar totalmente desligada no tempo e no espaço, como se o tempo não tivesse passado".

Já o presidente boliviano, Evo Morales, disse que a Alba deveria apresentar uma "resolução sobre Cuba" na Cúpula das Américas, em que se exija ao Governo dos EUA o fim do bloqueio econômico à ilha.

O chefe de Estado paraguaio, Fernando Lugo, que foi à reunião como convidado, considerou que as atuais Cúpulas das Américas estão defasadas e colocou que seu país estaria interessado em organizar uma, porém com formato diferente.

"Se me dissessem que em 2009 nenhum americano morreria de fome por efeito da cúpula, acreditaria nesse tipo de cúpula; se nos permitisse readquirir a dignidade e o respeito aos direitos humanos, de todos, acreditaria nesse tipo de cúpula, porque o importante não é a foto, mas compromissos concretos que possam ser avaliados", comentou Lugo.

O ex-bispo também mostrou "indignação" perante declarações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, no Haiti nas quais condicionava o levantamento do embargo a Cuba à "democratização" do sistema político cubano.

Chávez respaldou a posição de Lugo, ao tempo que afirmou que em Cuba há mais democracia que nos EUA.

Por sua vez, o presidente de Cuba, Raúl Castro, que ouviu na sessão plenária as declarações de apoio de seus colegas, já tinha criticado a OEA, logo após chegar a Cumaná, e pediu o fim desse organismo regional.

"A OEA tem que desaparecer", afirmou Raúl, que defendeu a criação de uma instância regional "sem fatores alheios à região", em evidente alusão a EUA e Canadá.

Em termos igualmente reprovadores à política dos EUA se expressaram os primeiros-ministros de Dominica, Roosewelt Skerrit e de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.

Chávez se uniu à proposta de Raúl de que a OEA desapareça e seja substituída por um organismo similar no qual estejam representados todos os países situados entre o rio Grande e a Patagônia, que poderia falar como bloco com os EUA.

Por outro lado, foi assinado um acordo para a criação do Sucre, que poderia começar a funcionar a partir de próximo 1º de janeiro.

"Nasceu o Sucre, primeiro elemento econômico e financeiro concreto em um espaço regional Alba, mais Equador", declarou o líder venezuelano.

O acordo foi assinado por todos os governantes dos países- membros plenos da Alba, e também pelo chanceler equatoriano, Fander Falconí, em representação ao presidente Rafael Correa, cujo país é observador e foi que propôs a implementação da moeda virtual em reunião de novembro passado em Caracas.

Ao fim dos debates, os líderes participantes da reunião de Cumaná se dirigiram à praça principal da cidade para depositar flores perante a estátua do Grande Marechal de Ayacucho, Antonio José de Sucre, nascido na região.

Se prevê que a cúpula termine ainda esta noite, após o jantar em que os presentes prepararão detalhes sobre a posição que apresentarão em Trinidad e Tobago, ou na manhã de sexta-feira. EFE rr/rr

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