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Apoiar guerra do Iraque foi decisão mais difícil da minha vida , diz Straw

Londres, 21 jan (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido durante a guerra do Iraque, Jack Straw, disse hoje que a decisão de atacar a nação árabe foi a mais difícil de sua vida e admitiu que, se ele tivesse se oposto, certamente seu país não poderia participar da ofensiva.

EFE |

Atualmente titular da pasta de Justiça, Straw presta depoimento hoje na comissão independente que investiga as circunstâncias da guerra contra o Iraque declarada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido em março de 2003, quando Tony Blair liderava o Governo britânico.

Em declaração escrita prévia ao depoimento, o ministro disse que o conflito no Iraque o envolveu em um "profundo dilema moral e político", mas optou por apoiar a invasão e que não se arrepende disso.

Em seu comunicado, o ministro admitiu que a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, cuja suposta existência foi usada para justificar a invasão, havia "abalado a confiança", mas insistiu em que a decisão de atacar foi tomada com base nas "melhores provas ao dispor no momento".

"Fiz minha escolha. Nunca me arrependi dela, e não penso em fazê-lo, e aceito totalmente as responsabilidades resultantes disso", afirmou.

Durante sua declaração aos investigadores, Straw também deu a entender que houve bastante debate muito antes de apoiar o ataque.

No entanto, uma testemunha anterior, lorde Turnbull, à época secretário de gabinete, assegurou que, se Straw teve dúvidas, não as expressou publicamente.

"O que o gabinete viu no ministro de Assuntos Exteriores foi alguém que se esforçou muito, com um material muito pobre, para apresentar o caso nas Nações Unidas", disse.

"Não parecia um homem que estivesse pensando em particular: 'Tudo isto está errado. Aqui há algo que não encaixa'", afirmou Turnbull.

Durante seu depoimento, Straw explicou que o Governo do Reino Unido partiu do pressuposto de que o Iraque possuía armas nucleares, uma suspeita que existia há anos.

À margem do que poderia ser fornecido pelos serviços secretos, isso é o que esteve no centro da estratégia governamental para invadir o país árabe.

Straw também ressaltou a importância dada nesse momento ao fato de "permanecer próximo" aos EUA e ganhar a confiança da Administração de George W. Bush, que poderia desconfiar de Blair por ser do Partido Trabalhista - teoricamente mais à esquerda - e de sua boa relação com seu antecessor na Presidência americana, o democrata Bill Clinton.

"Compartilhei com o primeiro-ministro o ponto de vista de que o melhor enfoque para o Reino Unido era permanecer perto da Administração americana e tentar persuadi-la de que qualquer ação contra o Iraque deveria passar pelas Nações Unidas", disse.

Straw, que continua a depor ainda hoje, assegurou por outro lado que seu Governo nunca teve como política estimular a guerra para conseguir "uma mudança de regime" no país árabe, o que o ministro sempre considerou como ilegal. EFE jm/bba

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