Apoiada por Lula, Dilma entra de vez na campanha presidencial

Brasília, 20 fev (EFE).- Aos 62 anos, Dilma Rousseff, uma economista de passado guerrilheiro e que nunca disputou uma eleição, se tornou hoje oficialmente a pré-candidata do PT à Presidência da República, com o empurrão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Tida como a 'dama de ferro' do Governo Lula, Dilma pode se transformar no próximo dia 3 a primeira mulher eleita para um cargo que, em toda a história republicana do país, só foi ocupado por 35 homens.

Filha de um comunista búlgaro que emigrou para o Brasil e se casou No país na década de 30, Dilma Vana Rousseff Linhares era uma perfeita desconhecida para a grande maioria dos brasileiros quando, em janeiro de 2003, assumiu o Ministério de Minas e Energia no primeiro mandato de Lula.

De perfil técnico, foi uma das impulsoras do desenvolvimento energético que o Brasil experimentou nos últimos anos e chegou a enfrentar organizações de defesa do meio ambiente pelo empurrão que deu à construção de usinas hidroelétricas na Amazônia.

Em meio aos escândalos relacionados ao mensalão, que sacudiram o Governo em 2005, ministros próximos ao presidente caíram e minaram a direção do PT. Foi nesta época que Dilma foi escolhida por Lula para assumir o Ministério da Casa Civil.

À frente da pasta, e em plena sintonia com Lula, Dilma teve a tarefa de planejar e levar adiante desde 2006 o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que lhe deu mais visibilidade como ministra.

Apesar disso, poucos poderiam acreditar que viria a ser a candidata do PT para suceder Lula, que em seu oitavo ano no poder mantém um índice de popularidade próximo a 80%.

Além de ter notadamente menos carisma que Lula, os críticos ao nome de Dilma apontavam seu perfil técnico, o fato de que jamais foi candidata a nenhum cargo eletivo e inclusive sua condição de "recém chegada" ao PT, que acaba de completar 30 anos, ao qual a ministra filiou-se em 1999 e no qual nunca ocupou postos na direção.

Apesar de todas essas reservas, Lula decidiu que Dilma era a "candidata ideal" para garantir a continuidade da gestão que começou em 2003 e termina em 1º de janeiro de 2011, após ter sido reeleito em 2006.

"Quero que o Brasil, depois de mim, seja governado por uma mulher e já existe a pessoa adequada: é Dilma", declarou Lula em novembro de 2008, quando pela primeira vez deu nome e sobrenome a sua candidata.

Talvez consciente das limitações de Dilma, Lula tomou a frente para tentar descolar da ministra-chefe da Casa Civil a fama de 'dama de ferro' e transformá-la em um rosto amável aos eleitores.

No ano passado, Dilma deu provas de sua coragem quando foi diagnosticada com um câncer linfático que superou em poucos meses.

As sessões de quimioterapia a fizeram perder seu cabelo, mas não sua também reconhecida vocação pelo trabalho.

Quem a conhece sustenta que essa personalidade dura foi forjada nos anos 70 quando, ainda adolescente, envolveu-se com grupos armados que combateram a ditadura militar, motivo pelo qual passou três anos na prisão, inclusive sendo submetida a torturas.

Durante as últimas semanas, Dilma deu algumas demonstrações de que está decidida a suavizar sua imagem para ser a candidata presidencial do PT.

Prova disso foi sua participação no carnaval de cidades como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, nos quais distribuiu sorrisos e beijos e até arriscou alguns passos de dança durante o desfile das escolas de samba cariocas. EFE ed/bba

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