Apesar dos avanços, medicina continua sem armas contra bactérias resistentes

Apesar da chegada ao mercado de novos antibióticos experimentais, a medicina ainda não dispõe de armas eficazes ante a crescente ameaça de cepas do Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (na sigla MRSA Methicillin-resistant Staphylococcus aureus), responsável pela maioria das infecções hospitalares, estimam especialistas.

AFP |

Estes novos agentes antiinfecciosos voltados para a MRSA "não são verdadeiramente novas classes de antibióticos, o que é decepcionante", considerou a cientista Karen Bush, da equipe de pesquisa e desenvolvimento da Johnson and Johnson.

"Há ainda cepas resistentes aos antibióticos em circulação, como variedades menos comuns do tipo Acinetobacteria e pseudomonas, contra as quais não podemos encontrar nenhum tratamento eficaz", acrescentou, durante uma entrevista à imprensa paralelamente à 48ª conferência sobre os agentes antimicrobianos e a quimioterapia (ICAAC) realizada neste final de semana em Washington.

Compartilhando o diagnóstico, o médico Michael Scheld, da Universidade da Virgínia, informou que "nada vê nos laboratórios" que possa dar à medicina antibióticos capazes de neutralizar estes patógenos "antes dos próximos cinco ou dez anos".

Além de obstáculos técnicos, o custo é também considerado um fator dissuasivo para os grandes laboratórios.

Para o cientista Robert Arbeit, da firma Paratek Pharmaceutical, que apresentou domingo resultados estimuladores para a pesquisa de um novo antibiótico contra a MRSA, a investigação requer um novo enfoque para resolver uma dor de cabeça.

"Necessitamos um novo paradigma que inclua a prevenção da infecção além de seu tratamento", destacou, em entrevista à imprensa.

Paratek informou que seu antibiótico batizado PTK 0796 conseguiu superar 98% das infecções provocadas por cepas de MRSA, segundo o estudo clínico de fase 2 realizado em 234 pacientes, e sem efeitos secundários severos.

O grupo suíço de biofarmácia Arpida também anunciou que seu tratamento Iclaprim administrado por via intravenosa havia curado infecções causadas por MRSA em 92,3% dos pacientes, segundo um estudo clínico.

A MRSA cada vez mais resistente provocou 94.000 infecções que geraram 19.000 mortes nos Estados Unidos em 2005, segundo os Centros federais de controle e prevenção de enfermidades.

O Staphylococcus aureus é considerado a espécie mais patogênica do tipo Staphylococcus.

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