Apesar de novas manifestações, clima em Honduras é de aparente calma

Luis Alfredo Martínez. Tegucigalpa, 6 jul (EFE).- Um dia depois de um jovem e uma segunda pessoa ainda não identificada terem morrido em Honduras, a tensão diminuiu hoje no país, apesar de os seguidores do deposto presidente Manuel Zelaya terem voltado a se manifestar, de forma pacífica, nas ruas da capital.

EFE |

O clima em Tegucigalpa nesta segunda-feira era de aparente calma, bem diferente da tensão vivida ontem, quando o avião de Zelaya foi proibido de pousar no aeroporto da cidade.

Isy Obed Murillo, de 19 anos, foi uma das vítimas dos confrontos de domingo entre os milhares de simpatizantes de Zelaya e as forças de ordem que foram para o aeroporto. O jovem morreu após ser atingido na cabeça por um tiro. A autoria do disparo ainda não foi determinada, e a Polícia anunciou uma investigação para esclarecer o ocorrido.

No entanto, o pai de Isy, o pastor evangélico José Murillo, de 57 anos, afirmou hoje à Agência Efe que o filho foi morto por "um franco-atirador" que estava no aeroporto de Tegucigalpa.

O novo chanceler de Honduras, Enrique Ortez, confirmou à imprensa que os distúrbios de ontem deixaram dois mortos. Porém, desmentiu as informações de que Polícia ou os militares atiraram contra os manifestantes.

"As forças de segurança não têm nenhuma responsabilidade" nas mortes, frisou Ortez.

Apesar de o chanceler ter falado da morte de duas pessoas, a promotora de Direitos Humanos do Ministério Público, Sandra Ponce, declarou à imprensa que "não está confirmada" uma segunda morte.

Os organizadores das mobilizações a favor de Zelaya também não denunciaram o registro de um segundo óbito.

Após os incidentes, que deixaram dezenas de pessoas feridas, o aeroporto de Tegucigalpa foi fechado por 48 horas, para evitar uma nova tentativa de Zelaya de voltar ao país pelo terminal aéreo da capital.

A Força Aérea Hondurenha, que ontem espalhou obstáculos na pista de pouso do aeroporto, hoje atravessou um de seus aviões no local, para impedir as aterrissagens.

O Governo de Roberto Micheletti, numa nova tentativa de estabelecer contatos com a comunidade internacional, enviou a Washington uma missão para dialogar com os países da Organização dos Estados Americanos (OEA), que ontem suspendeu Honduras da entidade.

Paralelamente, aproximadamente 3.000 seguidores de Zelaya se reuniram nas proximidades da residência presidencial para exigir a restituição do presidente derrubado. Durante o protesto, eles chamaram Micheletti de golpista e assassino.

Líderes do movimento que exige o retorno de Zelaya disseram que darão continuidade aos protestos. Já os grupos contrários a Zelaya anunciaram que amanhã promoverão novas mobilizações.

O presidente do Colégio Profissional União Magisterial de Honduras (Coprumh), Milton Bardales, disse aos jornalistas que a marcha de hoje teve menos intensidade porque a de ontem foi muito intensa.

No entanto, afirmou que a paralisação no setor educativo pela volta de Zelaya continua e que adesão é total.

"O que se viveu ontem me faz continuar na luta até que derrubemos os golpistas", disse Reinaldo García, um comerciante de 34 anos.

"Vamos continuar porque não queremos que isto volte a acontecer", acrescentou o trabalhador, que hoje voltou às ruas para protestar.

EFE lam/sc

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