ANTANANARIVO - O líder da oposição em Madagascar prometeu neste domingo manter os protestos contra o presidente Marc Ravalomanana, um dia depois de forças de segurança terem matado pelo menos 25 manifestantes contrários ao governo.

Tropas armadas patrulham as ruas em torno do palácio presidencial, onde no sábado milhares de manifestantes entraram em conflito com policiais.

Um comandante da polícia afirmou que cerca de 25 pessoas foram mortas quando as forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes.

O principal hospital de Antananarivo, capital de Madagascar, ilha no Oceano Índico, estava lotado com centenas de simpatizantes do líder da oposição, Andry Rajoelina, que foi destituído como prefeito da capital há cinco dias.

"Eu lhe condeno, Ravalomanana. Havia uma vida no palácio para proteger? A defesa desses escritórios pediam o derramamento de todo esse sangue?", indagou Rajoelina, num comunicado transmitido no seu canal de TV, neste sábado.

Segundo ele, a luta continuaria até a "vitória final."

Michelle Ratsivalaka, indicada prefeita pela oposição depois da saída de Rajoelina, afirmou que os corpos dos mortos seriam levados para um ginásio para um serviço religioso.

Cerca de 125 pessoas já morreram em duas semanas de protestos, ligados à disputa entre Ravalomanana e Rajoelina.

O presidente culpou a oposição pelas mortes no sábado e descreveu os eventos como intoleráveis.

Ravalomanana nega a acusação dos opositores de um governo ditatorial. Ele pediu um retorno à ordem, enquanto o governo prorrogou por mais uma semana o toque de recolher na capital.

Ravalomanana, desde que assumiu o poder em 2002, comanda o país num período de crescimento sustentável, mas seus críticos dizem que ele perdeu contato com o povo e não combate a pobreza.

Rajoelina, ex-DJ, empresário carismático, busca processar o presidente no Congresso e na Corte Constitucional.

(Por Alain Iloniaina)

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