Apesar de experiente, Biden é um dos pontos fracos de Obama

Macarena Vidal. Washington, 29 out (EFE).- Joe Biden, o candidato à Vice-Presidência dos Estados Unidos na chapa do democrata Barack Obama, foi selecionado pelo partido por sua vasta experiência sobretudo em política internacional, mas tem se tornado um dos pontos fracos da candidatura devido a seus comentários.

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Isso porque Biden, um veterano senador com 35 anos de carreira e que conta com 60% da aprovação dos americanos, possui grande capacidade para fazer declarações inoportunas em momentos inesperados.

Um exemplo foi ter admitido, logo após ser escolhido para compor a chapa de Obama, que a rival do senador por Illinois nas primárias, Hillary Clinton, seria uma melhor opção para ser candidata a Vice-Presidência.

Durante os piores momentos da crise financeira, em setembro, Biden recomendou ao presidente George W. Bush que fosse para a frente das câmeras tranqüilizar a população. Como exemplo, afirmou que "quando a Bolsa desabou (no começo da Grande Depressão em 1929), Franklin D Roosevelt foi à televisão".

No entanto, em 1929, Roosevelt não era o presidente do país e nem a televisão era mais do que um protótipo primitivo.

Contudo, mesmo com suas frases, Biden mostrou disciplina exemplar no momento de se expressar no debate com Sarah Palin, candidata a vice na chapa do republicano John McCain, ainda que funcionários da campanha de Obama temessem um possível desastre.

Desde então, ele não tinha voltado a fazer declarações extemporâneas - ou pelo menos nenhuma que causasse grande repercussão na imprensa. Mas nos últimos dias, fez soar os alarmes na campanha de Obama.

"Vamos ter uma crise internacional, uma crise provocada, para desafiar este homem", afirmou Biden referindo-se a Obama e ao péssimo momento da economia em um ato para arrecadar fundos.

Obama minimizou a importância das declarações de Biden e para atenuar os danos teve que convocar uma reunião com seus assessores de segurança nacional. Seu rival, John McCain, aproveitou as palavras para lançar duros ataques, inclusive com anúncios, contra a candidatura democrata.

Diante da possibilidade de novas inconveniências que possam custar caro aos candidatos democratas, favoritos nas pesquisas, a campanha optou por limitar as declarações de Biden.

O senador não concede uma entrevista coletiva desde 7 de setembro e lê seus discursos no teleprompter ao invés de improvisar. Até mesmo seus diálogos com os eleitores diminuíram, desde que se divulgou uma gravação em um desses encontros nos quais contradizia a posição de Obama sobre energia.

Nos seis dias até a eleição, é possível que, com um ferrenho controle, Biden não faça outros comentários comprometedores. Mas, caso os democratas vençam a votação da próxima terça-feira, ele terá quatro anos para se retratar. EFE mv/rb/plc

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