A coalizão liderada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi obteve o controle de mais quatro regiões na Itália nas eleições regionais de domingo e segunda-feira, cujo resultado final foi anunciado nesta terça-feira. A coalizão de Berlusconi venceu em 6 das 13 regiões. Ela já governava duas delas.

A oposição de centro-esquerda, que antes governava 11 regiões, agora mantém o controle sobre sete.

EFE
Berlusconi vota em Milão
Berlusconi obteve a vitória apesar dos recentes escândalos políticos e pessoais envolvendo seu nome.

A Liga do Norte, partido federalista de direita e contrário à imigração, assumiu o controle de duas regiões pela primeira vez. A coalizão de centro-esquerda agora está praticamente ausente do norte do país.

Segundo as autoridades, o comparecimento de 64% dos eleitores foi oito pontos porcentuais mais baixo do que nas últimas eleições e o mais baixo dos últimos 15 anos.

Eleitorado 'desiludido'

Entre as vitórias do PDL (Povo da Liberdade, o partido de Berlusconi) e seus aliados, duas foram extremamente apertadas, na região de Lázio, onde fica Roma, e na região de Piemonte, norte do país.

A Liga do Norte venceu na região do Veneto (norte), como era esperado, e obteve o governo de Piemonte.

O partido também diminuiu a diferença com o PDL na região da Lombardia, que inclui Milão e o coração econômico da Itália.

Segundo o correspondente da BBC em Roma, Duncan Kennedy, com as vitórias a Liga do Norte deverá exercer mais influência sobre o governo de Berlusconi e poderá exigir postos no ministério e pressionar por sua agenda, que pede maior autonomia para o norte, a região mais rica da Itália.

"As pessoas querem o federalismo e vamos dá-lo a elas rapidamente", disse o líder da Liga do Norte, Umberto Bossi. "A esquerda não existe mais no norte", afirmou.

O baixo comparecimento às urnas foi um claro sinal de que os eleitores estão desiludidos com a política, disse o ministro do Interior Roberto Maroni, na segunda-feira.

Para Kennedy, o resultado não foi um claro endosso ao premiê, mas ele também não sofreu a humilhação que o centro-esquerda esperava.

Berlusconi passou por um ano turbulento em 2009, marcado pelas acusações sobre sua amizade com uma modelo adolescente e sobre acompanhantes profissionais que compareceriam a festas em sua casa.

Sua mulher pediu o divórcio e ele teve o nariz quebrado quando um homem atirou uma réplica da Catedral de Milão em seu rosto.

Na semana passada, a mídia italiana afirmou que o premiê estava sendo investigado por alegações de que teria tentado pressionar o órgão regulador das comunicações a bloquear programas de TV críticos ao seu governo.

Segundo Duncan Kennedy, a decepção da centro-esquerda será a maior com o resultado, já que a oposição esperava capitalizar em cima dos problemas políticos de Berlusconi, mas agora está praticamente ausente do norte do país e ainda mais desordenada do que antes.

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