Maior evento do gênero na Europa, o Salão Náutico de Gênova é a principal vitrine internacional para os estaleiros e produtores de acessórios de todo o mundo e apresenta os últimos lançamentos de um mercado que vem navegando em águas pouco turbulentas, apesar da crise econômica. O Salão serve de barômetro para medir as conseqüências no setor da tempestade pela qual passa o mercado financeiro em todo o planeta, assim como os efeitos da queda do consumo e da alta do preço do petróleo.

De acordo com especialistas, apenas os barcos menores devem sentir os efeitos da crise na edição deste ano, que começou no último sábado e vai até o próximo domingo, dia 12.

O mercado para grandes embarcações, acima dos 20 metros de comprimento, continua a dar sinais de vitalidade, segundo observadores do setor.

Os especialistas afirmam que quanto maior é o iate, e o seu custo, menores são as chances dele permanecer encalhado no estaleiro - e isso vale para lanchas e barcos a vela.

O Salão de Gênova conta com 2,5 mil barcos - dos quais 600 são lançamentos - e 1,5 mil expositores de 38 países. A exposição deve receber a visita de 300 mil pessoas, entre profissionais do setor, curiosos e potenciais clientes.

Ancoradas em uma marina ou em terra firme, as embarcações expostas ficam distribuídas em nove quilômetros quadrados de área.

Em 2007, mesmo com todas as incertezas, os negócios náuticos alcançaram a cifra de 14,4 bilhões de euros, um crescimento de 15,3%, segundo pesquisa do Observatório do Setor Náutico da Faculdade de Economia da Universidade dos Estudos de Roma, Tor Vergata.

Vento a favor
O prazer de navegar apenas com o vento pode custar cifras com sete dígitos. Pensando em atrair os potenciais compradores de uma segunda casa de praia, um estaleiro francês aposta na estabilidade do catamarã, embarcação com dois cascos flutuantes, como imóvel.

Por 2,6 milhões de euros, o veranista adquire um luxuoso barco equipado com 252 metros quadrados de velas e possantes motores 1,3 mil cavalos, capaz de singrar em segurança e conforto pelos três oceanos.

"Não acredito que os problemas financeiros influenciem o poder aquisitivo dos clientes ricos", diz à BBC Brasil o engenheiro Enrico Contreas, a bordo do colosso francês, do qual é o importador italiano.

"Este catamarã do estaleiro Sunreef tem as características necessárias que eles procuram: tem uma boa velocidade, fácil manobragem, é extremamente robusto e com um luxo sem exagero para o mar."
Mesmo sendo uma exposição para diversos bolsos, as atrações são sempre os grandes iates, cuja produção italiana é líder mundial.

Para mostrar a força do setor do alto luxo, 48 embarcações acima dos 30 metros de comprimento enchem os olhos de quem precisa ter os pés no chão.

Ancorados ao lado do grande catamarã estão outros dois barcos da mesma categoria a preços menores, entre 177 e 224 mil euros.

No fundo do mar
O Salão reúne também algumas curiosidades. Um estaleiro italiano apresenta um barco com jeito de submarino - a embarcação tem quatro metros de comprimento e foi feita em resina.

A cabine de vidro fica a um metro de profundidade, o suficiente para o ocupante se sentir a bordo do Nautilos do capitão Nemo, do romance de Júlio Verne.

Mesmo com o passeio no "fundo do mar", o retorno para a superfície de todos os quatro tripulantes, sãos e secos, é garantido.

Outra atração à parte na exposição é o pavilhão de exposições, obra do arquiteto Jean Nouvel.

O pavilhão, ainda a ser inaugurado na totalidade em 2009, já foi parcialmente ocupado pelas lanchas e botes.

As embarcações dividem a atenção com o espaço de 20 mil metros quadrados em plena sintonia com o mar ao redor do Salão Náutico.

A cobertura externa é opaca e azul, mas a interna é prateada e lúcida. Amplas vidraças servem de anteparo entre o telhado e o pavimento. A luminosidade interior ganha as matizes das cores do céu e do mar.

Lá dentro ficam os barcos de menor envergadura, como os botes de última geração, a preços mais acessíveis.

A iluminação pode atenuar o impacto dos preços. Não por acaso, ali foi localizado um serviço inédito: um guia destinado a orientar o marinheiro de primeira viagem que, finalmente, juntou dinheiro para comprar pelo menos uma "lanchinha".

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