Apesar das críticas à volta de Zelaya, EUA não mudaram de posição sobre Honduras

Os Estados Unidos não mudaram de posição sobre Honduras, assegurou nesta terça-feira um porta-voz do departamento de Estado, Philip Crowley, depois das críticas feitas pelo representante americano ante a OEA contra a volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao país.

AFP |

"O que ele (o representante americano ante a OEA) disse é totalmente coerente com nossa preocupação de que ambas as partes precisam tomar uma ação construtiva", explicou Crowley à imprensa.

Crowley saudou a disposição do governo encabeçado por Roberto Micheletti de aceitar uma missão de chanceleres da OEA, que poderá chegar no próximo dia 7.

"É o momento para o regime entablar um diálogo com o presidente Zelaya. E damos as boas-vindas aos esforços da OEA", explicou.

Já a declaração de estado de sítio, que, apesar das declarações de Micheletti nesse sentido, ainda não havia sido levantado nesta terça, foi condenada pelo departamento de Estado.

"É importante que o regime rescinda este último decreto", enfatizou Crowley.

Na véspera, o representante dos Estados Unidos na OEA, Lewis Amselem, afirmou durante uma reunião de caráter urgente do grupo para analisar a situação em Honduras, que o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, foi uma atitude irresponsável, em um aparente giro da posição de Washington sobre a crise.

"A volta do presidente Zelaya a Honduras foi irresponsável e não serve nem aos interesses de seu povo nem aos interesses dos que buscam o restabelecimento pacífico da ordem democrática em Honduras", disse Amselem durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA.

Após condenar a expulsão dos funcionários da OEA por parte do governo de fato de Honduras, Amselem também criticou duramente a presença de Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde permanece ao lado de dezenas de partidários.

"Deveria exercer sua liderança e pedir a seus seguidores que se manifestem pacificamente". Zelaya, como o regime de fato, "devem entender que o povo está sofrendo", destacou o diplomata.

O presidente deposto, que está há uma semana abrigado na embaixada do Brasil, após entrar secretamente no país, "deveria parar de agir como se estivesse em um velho filme de Woody Allen", acresentou

Em aparente referência ao Brasil e à Venezuela, Amselem destacou que os que facilitaram a volta de Zelaya a Honduras têm especial responsabilidade para prevenir a violência e manter o bem-estar do povo hondurenho".

Após as declarações de Amselem, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, telefonou à secretária americana de Estado, Hillary Clinton, para analisar a situação de Honduras.

Segundo uma fonte diplomática em Brasília, que pediu para não ser identificada, Amorim manifestou a Clinton sua "preocupação" pelo discurso do representante americano na OEA.

Amorim também conversou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, e com o secretário da OEA, José Miguel Insulza.

Os Estados Unidos, que lideram este mês o Conselho de Segurança da ONU, trabalha junto ao Brasil para acompanhar os acontecimentos em relação ao estatuto da embaixada brasileira em Tegucigalpa.

jz/cn

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