Apesar da violência, afegãos votam para presidente

Milhões de afegãos participaram nesta quinta-feira da eleição presidencial, apesar das ameaças de violência e de ataques esporádicos em todo o país. Dois militantes do Taliban foram mortos num tiroteio na capital, e foguetes atingiram várias cidades, principalmente no sul e leste do Afeganistão. A ONU disse, no entanto, que há sinais encorajadores de comparecimento elevado em várias áreas.

Reuters |

"A vasta maioria das seções eleitorais conseguiu abrir e receber material de votação", disse Aleem Siddique, porta-voz da missão da ONU em Cabul. "Estamos vendo filas formando-se nas seções eleitorais do norte, também na capital e, encorajadoramente no leste."

O presidente Hamid Karzai votou sob rígida segurança num colégio perto do palácio presidencial. Ele disse a jornalistas que seria "do interesse da nação" que o pleito se resolvesse no primeiro turno.

AFP

Presidente do Afeganistão deposita seu voto na urna


Mas as pesquisas sugerem uma boa votação do ex-chanceler Abdullah Abdullah, o que levaria à realização de um segundo turno em outubro. Os resultados preliminares devem levar pelo menos duas semanas.

A eleição também serve de teste para o presidente Barack Obama, que enviou cerca de 30 mil soldados adicionais ao Afeganistão como parte de sua estratégia para conter o Taliban.

O enviado especial de Obama à região, Richard Holbrooke, visitou seções eleitorais em Cabul e disse que a votação vista por ele foi "aberta e honesta." "Até agora, todas as previsões de um desastre se provaram erradas", afirmou o diplomata.

Tiroteio

Enquanto ele dava essas declarações, militantes e forças do governo travavam um tiroteio na capital. O comandante policial Abdullah Uruzgani disse que dois dos guerrilheiros foram mortos. Uma equipe da Reuters foi autorizada a entrar no local para gravar imagens dos corpos.

AFP
Mulheres fazem fila para votação em Kandahar


O Taliban havia prometido perturbar a eleição, intensificando ataques na semana passada, inclusive na capital. A guerrilha havia dito antes do pleito que infiltrara 20 militantes suicidas em Cabul e que fecharia todas as estradas do país.

A preocupação com o baixo comparecimento às urnas é especialmente acentuada no sul, que é ao mesmo tempo reduto do Taliban e de Karzai. Ahmad Wali Karzai, meio-irmão do presidente e chefe do conselho provincial de Kandahar (sul), disse à Reuters que há forte movimento nas seções eleitorais da região, apesar das ameaças de violência.

"Um foguete caiu perto da minha casa, matando um menininho e ferindo sua mãe gravemente", disse ele por telefone. "Mas, apesar de todos esses alertas, as pessoas não ouvem o Taliban. O povo de Kandahar está acostumado à guerra."

Bill Gallery, diretor da entidade Democracy International, disse que alguns de seus monitores no sul ficaram "surpresos por quanta gente está comparecendo".

"Excedeu as expectativas deles", afirmou, ressalvando que ainda é cedo para tirar conclusões relativas à participação do eleitorado.

Muitos afegãos disseram que as ameaças não os impediriam de participar da eleição. "O povo afegão está acostumado a viver sob as piores circunstâncias de insegurança e luta, por que deveria ter medo de sair para votar?", disse o estudante Sayed Mustafa, em Cabul, mostrando o dedo com tinta, prova de que votara.

Na província de Baghlan (norte), a guerrilha Taliban atacou um posto policial, matando um chefe distrital de polícia.

Foguetes atingiram as cidades de Kandahar, Lashkar Gah, Ghazni e Kunduz, onde dois observadores eleitorais ficaram feridos numa seção de votação. Em Gardez (leste), um policial disse que dois homens-bomba se explodiram sobre motos, mas sem deixar outras vítimas.


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