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Apesar da redução de ventos e chuvas, Ike ainda causa estragos em Cuba

Antonio Martínez.

EFE |

Havana, 10 set (EFE) - Os ventos e as chuvas em Cuba estão diminuindo hoje, à medida que o furacão "Ike" se afasta da costa norte do país pelo Golfo do México indo rumo aos Estados Unidos, mas deixa para trás pelo menos quatro mortos, 20 feridos e um panorama social e econômico desolador.

Em um país que já vivia em economia de guerra antes da passagem de dois furacões em apenas dez dias, centenas de milhares de famílias ficaram sem casa ou tiveram os imóveis seriamente danificados.

O furacão "Gustav" destruiu total ou parcialmente 140 mil casas no dia 30 de agosto na província de Pinar del Río, segundo fontes oficiais, e desde domingo chegam informações de prejuízos similares no centro e leste de Cuba.

Trata-se de um grande desafio para o Governo de Raúl Castro, atrasado em sua meta de construir 50 mil casas por ano e com um déficit de um milhão de imóveis.

É cada vez maior o número de relatórios sobre colheitas destruídas ou em risco, cidades continuam inundadas, redes elétricas e telefônicas destruídas, indústrias paralisadas, e escolas, centros de saúde e outros edifícios derrubados em todo o país.

O primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros cubano, José Ramón Machado, falou da destruição de diversas pontes e estradas, e pediu à população compreensão e paciência, pois a recuperação não será assunto de poucos dias.

"A nossa economia está sofrendo um golpe muito duro", disse Machado em declarações divulgadas pela imprensa oficial.

Muitos bairros de Havana, assim como outras localidades, ainda estão sem energia elétrica e outros serviços.

A produção cubana de níquel, uma das principais fontes de divisas da ilha, foi suspensa temporariamente por causa do furacão, informou o Ministério da Indústria Básica.

"Ike" se afasta lentamente de Cuba, mas as chuvas que o acompanham "continuam sendo um fator muito perigoso", advertiu hoje o Instituto de Meteorologia (Insmet).

Há precipitações intensas no oeste e centro da ilha, entre as províncias de Pinar del Río e Sancti-Spíritus, incluindo a Isla de La Juventud e a cidade de Havana.

"Estas chuvas serão fortes e intensas em várias localidades e podem causar inundações e deslizamentos de terra, sobretudo em regiões montanhosas e em lugares onde já há grandes acúmulos de precipitações", alerta o Insmet.

Em Pinar del Río, correspondentes da Agência Efe constataram chuvas torrenciais e o corte da estrada principal de Cuba em pelo menos dois pontos.

As fortes ressacas também continuam, com perigo para a navegação e possíveis inundações litorâneas.

O furacão ainda está se intensificando sobre as águas quentes do Golfo do México, e seus ventos máximos sustentados já são de 140km/h, com seqüências superiores.

É um furacão de categoria 1 na escala Saffir-Simpson de 5, mas os meteorologistas dizem que voltará ao nível 3, com o qual chegou a Cuba no domingo, e até o 4, como quando passou pelo Haiti, onde matou 66 pessoas.

Mais de 2,6 milhões de cubanos, 23% do total, foram evacuados para lugares seguros durante a passagem de "Ike".

O número foi fornecido pelo coronel José Ernesto Betancourt, do Estado-Maior Nacional da Defesa Civil, segundo quem 79% dos evacuados foram transferidos para casas de familiares ou vizinhos e os outros foram levados para albergues estatais.

A destruição de casas se deve, em boa parte, à precariedade dos lares cubanos, como mostraram as imagens das agências e televisões internacionais.

Os hotéis para turistas, mais sólidos, melhor construídos, tiveram apenas pequenas avarias, segundo declarações do chefe de Defesa do Ministério do Turismo, Carlos de Los Cuetos, divulgadas pela mídia oficial.

Apenas 5% dos turistas tiveram que ser transferidos, acrescentou.

Sobre os prejuízos agrícolas, desde a província de Santiago de Cuba, a imprensa oficial informou do risco sofrido pela colheita de café devido à falta de pessoal.

"Os ventos e as chuvas do furacão "Ike" provocaram a queda de alguns volumes do grão e sua conseqüente perda, mas, sobretudo, impediram a entrada de oito mil alunos de ensino médio e superior que tinham a missão de iniciar a colheita", explicou a agência estatal "AIN".

Há também estradas "em péssimas condições", a necessidade de revisar os acampamentos dos agricultores, "e a imprescindível espera para que rios e riachos das serranias retornem aos seus leitos", que podem impedir o início da colheita. EFE am/rb/db

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