Apesar da libertação de opositores, tensão política cresce na Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 10 out (EFE).- Os líderes da opositora Aliança do Povo para a Democracia (PAD) foram soltos hoje sob pagamento de fiança após se declararem inocentes das acusações de reunião ilícita e de incitação à desordem, enquanto seus seguidores continuavam na sede do Governo em Bangcoc, ocupada por eles desde 26 de outubro.

EFE |

O magnata das comunicações Sonthi Limthongkul, além de Somsak Kosaisuk, Piphob Thongchai, Suriyasai Katasila, Amorn Amornrattananont e Terdbhumi Jaidee, se apresentou em uma delegacia da parte antiga de Bangcoc.

Eles haviam prometido fazer isso se os promotores retirassem as acusações de rebelião, conspiração para a insurreição e desacato, pelas quais podiam ser condenados à pena de morte.

O grupo se declarou inocente e, depois de três senadores se oferecerem como fiador, saiu da delegacia com promessas de retomar os protestos.

Os também líderes da PAD Chamlong Srimuang e Chaiwat Sinsuwong, detidos nos últimos dias cinco e três, respectivamente, e que obtiveram ontem liberdade após pagarem fiança, não estavam presentes na delegacia.

Srimuang, um general reformado e antigo governador de Bangcoc conhecido por suas profundas convicções budistas, disse hoje que na próxima segunda-feira a protestará contra as duas mortes e os 423 feridos nos enfrentamentos com os agentes antidistúrbios na terça-feira.

O opositor afirmou que se tratará de uma manifestação pacífica e assegurou que os seguidores da aliança não incitarão à violência.

O primeiro-ministro do país, Somchai Wongsawat, do Partido do Poder do Povo (PPP), cancelou inesperadamente suas visitas oficiais a Mianmar (antiga Birmânia), Laos, Camboja e Cingapura sem dar explicações à imprensa.

A Aliança é contrária a que o PPP, vencedor das eleições de 23 de dezembro de 2007, governe o país, e se opõe à emenda constitucional.

Consideram o PPP uma marionete do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, a quem acusam de corrupção e que foi derrubado por um golpe militar em 19 de setembro de 2006.

Wongsawat, cunhado de Shinawatra, anunciou, há uma semana, que proporia emendas constitucionais, mesma iniciativa tomada por seu antecessor e membro do partido, Samak Sundaravej, que acabou deixando o cargo em 9 de setembro sem conseguir seu objetivo e sem resgatar seu escritório oficial das mãos da Aliança.

A plataforma opositora conta com o apoio da elite conservadora e de setores do Exército e explora o nacionalismo e sua lealdade ao rei para ganhar seguidores.

O ministro de Agricultura tailandês, Somsak Prissanananthakul, disse hoje que nem a renúncia do primeiro-ministro nem a dissolução do Parlamento, exigida pela Aliança, permitirão acabar com a crise.

Ele afirmou que a convocação de eleições antecipadas teria o mesmo resultado dos pleitos anteriores: vitória do PPP. E disse que, por este motivo, os protestos voltariam.

O ex-vice-primeiro-ministro Chavalit Yongchaiyudh, que apresentou sua renúncia na última terça para assumir a negociação com os manifestantes que cercaram o Parlamento para impedir o reatamento das sessões, afirmou que a situação só tem uma solução: golpe militar.

"Não há outra saída. A dissolução do Legislativo não resolverá o problema. Três instituições podem resolver a crise: a Coroa - que permanece politicamente neutra -, os militares - que não parecem interessados em intervir -, e o Governo - que está superado pelo problema", disse Yongchaiyudh em entrevista concedida ao jornal "The Bangcoc Post".

Yongchaiyudh dirige o partido Chart Thai (Nação Tailandesa), que com 37 deputados é o segundo maior da coalizão governante, liderada pelo PPP com 233 congressistas dos 500 da Câmara Baixa. EFE grc/fh/rr

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