Apesar da crise, Dubai inaugura torre mais alta do mundo

Por Thomas Atkins DUBAI (Reuters) - Dubai inaugurou a estrutura mais alta do mundo numa cerimônia reluzente nesta segunda-feira, apesar das enormes dívidas, levando algumas pessoas a questionar se a nova torre será a glória suprema dos Emirados Árabes Unidos ou seu último suspiro.

Reuters |

A torre de 1,5 bilhão de dólares terá 200 andares e 828 metros de altura. O governante de Dubai, xeique Mohammed bin Rashid al-Maktoum, rebatizou o prédio de Burj Khalifa em homenagem ao presidente dos Emirados Árabes e o governante de Abu Dhabi.

As preocupações sobre a dívida de 100 bilhões de dólares do emirado, no entanto, que levaram a bolsa de valores de Dubai a ter um dos piores resultados do mundo, lançaram uma sombra sobre a cerimônia e sobre a construtora, a Emaar Properties.

"A preocupação para Dubai é a de que o evento seja lembrado como uma segunda onda de arrogância", disse David Butter, diretor regional para o Oriente Médio e o Norte da África da Economist Intelligence Unit.

A primeira onda ocorreu em novembro de 2008, dois meses após o colapso do Lehman Bros., quando Dubai gastou 24 milhões de dólares na cerimônia de inauguração do hotel Atlantis, um evento que contribuiu mais para salientar o gosto por extravagâncias do que para aplacar os temores de que a crise econômica não estava sendo levada a sério.

A Emaar diz que os preços dos imóveis agora estabilizaram, contradizendo as expectativas de crise no setor.

"Vocês devem perguntar 'por que estamos construindo tudo isso'? Para trazer qualidade de vida e um sorriso às pessoas e acho que devemos continuar fazendo isso", disse Mohamed Alabbar, presidente da Emaar, a maior construtora do mundo árabe em lista.

"Crises vêm e vão", disse Alabbar a jornalistas. "Construímos para os anos que vêm... Precisamos ter esperança e otimismo".

Os investidores, no entanto, não se comoveram muito e as ações da Emaar fecharam em baixa de 3,4 por cento, deixando o índice geral de Dubai em baixa de 2,6 por cento.

"Isso provavelmente é o fim dos megaprojetos de Dubai para os próximos anos à medida em que o emirado tenta racionalizar seus recursos e busca reconstruir a economia de uma forma ou de outra", disse Saud Masud, chefe de pesquisa da UBS.

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