Apesar da crise, Colômbia segue pressão por TLC com EUA

María Peña. Washington, 25 fev (EFE).- O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, e o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, asseguraram hoje que, apesar da situação econômica nos Estados Unidos, o Governo da Colômbia insistirá na aprovação do Tratado de Livre-Comércio (TLC).

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O TLC foi assinado em novembro de 2006, porém segue estagnado no Congresso perante preocupações dos democratas que, fortemente apoiados pelos sindicatos americanos, alegam que a violência contra sindicalistas na Colômbia ameaça tal acordo.

Os ministros colombianos estão realizando o que pode se chamar de uma ofensiva política e diplomática em Washington, a primeira do tipo dirigida ao Governo Barack Obama, que segue preocupado com a situação dos direitos humanos e trabalhistas na Colômbia.

Embora membros do Congresso e altos funcionários do Ex ecutivo tenham declarado seu apoio à Colômbia e seu desejo de estreitar os laços de cooperação com o país sul-americano, durante a visita dos ministros não se deixou transparecer, pelo menos em público, um sinal claro de quando poderia ocorrer a votação do TLC este ano.

Segundo Bermúdez, as reuniões ocorridas em Washington deixaram claro que ambos os países têm que "trabalhar juntos para ver como se pode conduzir o assunto no Congresso".

"Temos que reconhecer a circunstância atual, o ambiente e o clima político nos EUA e da nova Administração, onde há temas de grande prioridade como o da crise financeira", reconheceu Bermúdez na saída de uma reunião com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Temos que ser muito prudentes, mas também persistentes. Temos que seguir trabalhando no Congresso, explicando os esforços que a Colômbia fez", comentou Bermúdez, ao reiterar a "boa disposição" que encontrou em Washington para trabalhar sobre o TLC.

A "prudência" e a "persistência", segundo vários funcionários colombianos que visitam os EUA, se transformaram nos argumentos mais recentes do "lobby" da Colômbia pelo TLC.

No entanto, nem Bermúdez nem Santos falaram sobre que recomendações foram feitas pelos funcionários americanos para acabar com o impasse sobre o TLC, nem que ações concretas o Governo de Bogotá poderia tomar.

No início de seu encontro de uma hora com os dois ministros, Hillary Clinton disse que a Colômbia "fez muitos esforços e alcançou progresso" e ressaltou que junto aos EUA tem "muita coisa em comum para trabalhar".

A secretária de Estado, porém, não deu muitos detalhes sobre o polêmico assunto. Quando era senadora e candidata presidencial, Hillary se opôs ao TLC com a Colômbia, seguindo a linha de seu partido.

Bermúdez não quis antecipar se chegou a ver uma mudança real na postura de Hillary com relação ao TLC, mas afirmou que pode se dizer ter "encontrado um reconhecimento aos avanços feitos pela Colômbia e um interesse de cooperar para ver como avançar no assunto comercial".

O chanceler colombiano se reuniu com o presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado americano, John Kerry, e ambos discutiram "a necessidade de um contínuo progresso nos direitos humanos" na Colômbia, conforme disse hoje à Agência Efe Frederick Jones, porta-voz do legislador.

Segundo Jones, isso abrangeria "uma investigação plena dos falsos positivos, para avançar nas iniciativas de interesse comum".

Como falso positivo se conhece na Colômbia resultados fraudulentos que as autoridades apresentam para forjar resultados adicionais em sua luta contra o crime.

Santos, por sua parte, assegurou que o relatório divulgado hoje pelo Departamento de Estado sobre a situação de direitos humanos na Colômbia é um reconhecimento dos avanços do país.

O ministro disse que esse relatório destacou as "melhoras" em direitos humanos, graças em parte à Lei de Justiça e Paz, embora também tenha destacado que persiste a violência por parte de grupos paramilitares, guerrilheiros e novos grupos ilegais.

"Nós nunca quisemos esconder os problemas. Pelo contrário, queremos levá-los à luz pública e corrigi-los, e isso é o que estamos fazendo", enfatizou Santos.

Santos qualificou de "boa notícia" que a Câmara dos Representantes tenha aprovado nesta quarta-feira um projeto de lei orçamentário que deixa praticamente sem mudanças a ajuda dos EUA ao Plano Colômbia.

O projeto, que segundo Santos fornece US$ 545 milhões à Colômbia para o ano fiscal em curso, tem que ser aprovado no Senado para virar lei.

Os dois ministros colombianos continuarão em Washington nesta quinta e se reunirão com líderes democratas do Congresso. EFE mp/rr

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