Apenas negociação levará a Estado palestino, diz premiê de Israel

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que os palestinos não devem tentar unilateralmente ganhar o reconhecimento internacional de seu Estado independente e acrescentou que apenas a negociação com Israel é a solução. Netanyahu respondeu às afirmações do negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, que, no domingo, afirmou que pedirá ao Conselho de Segurança da ONU que reconheça um Estado palestino independente.

BBC Brasil |

Erekat alegou que o pedido deve ser feito justamente por causa da falta de progressos na retomada das negociações de paz com o governo israelense.

No entanto, nesta segunda-feira, Netanyahu afirmou que o acordo deve ser negociado e que qualquer medida unilateral dos palestinos prejudicaria a negociação.

"A forma de alcançarmos a paz é pelas negociações. Por meio de cooperação e consenso entre os dois lados nas áreas de economia e de segurança e também o será no campo político."
"Por isso que não há substituto para negociações entre Israel e a Autoridade Palestina e qualquer caminho unilateral vai apenas prejudicar a estrutura dos acordos entre nós e trará apenas medidas unilaterais do lado de Israel", afirmou o premiê.

Netanyahu também criticou o relatório a respeito da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, elaborado pelo investigador da ONU Richard Goldstone, afirmando que este documento "ameaça a paz na região".

"Para se chegar a um acordo permanente entre nós e os palestinos, teremos que envolver concessões territoriais, mas como você pede para Israel evacuar mais terras se não pudermos nos proteger de ataques que vem destas terras?"
Assentamentos
Israel ofereceu aos palestinos uma restrição à ampliação dos assentamentos na Cisjordânia ocupada e no leste de Jerusalém, mas a Autoridade Palestina exige que todas as construções sejam paralisadas antes da retomada das negociações de paz.

Cerca de 500 mil judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos em territórios ocupados desde 1967. De acordo com leis internacionais, estes assentamentos são ilegais, apesar de Israel contestar isto.

O impasse levou o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, a anunciar que não vai tentar a reeleição.

Falando à BBC, Saeb Erekat afirmou que os palestinos decidiram apelar para o Conselho de Segurança da ONU depois de anos de negociações que fracassaram e que "agora é o momento decisivo".

Erekat também afirmou que não se trata de uma declaração de independência unilateral, mas sim "uma decisão palestina apoiada agora pelo encontro dos ministros das Relações Exteriores árabes da semana passada".

"Iremos consultar a União Europeia, os russos, a ONU, as nações africanas, latinas e depois disso, diremos aos americanos 'vocês não conseguiram fazer com que os israelenses parassem as atividades nos assentamentos, por que usariam então seu poder de veto?'"
O porta-voz de Netanyahu, Mark Regev, disse à BBC que Israel quer negociar, mas os palestinos é que estão dificultando.

"(...)É Israel que há meses pede a retomada das negociações. Infelizmente, o lado dos palestinos está colocando condições para estas negociações e, então, evitando o ressurgimento de um diálogo diplomático forte", afirmou.

A correspondente da BBC em Jerusalém Katya Adler afirmou que esta última afirmação da Autoridade Palestina é uma medida simbólica, mas reflete sua crescente frustração com o impasse no processo de paz.

Os palestinos pretendem construir seu futuro Estado na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza. As negociações de paz entre israelenses e palestinos vem ocorrendo intermitentemente pelos últimos 18 anos.

Os palestinos já declararam a independência de forma unilateral em 1988. A independência foi reconhecida por dezenas de países, o Brasil não incluído, mas nunca foi implementada de fato.

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