Apelos em Brasília à unidade regional não calam conflito entre Bogotá e Quito

Brasília, 23 mai (EFE).- A cúpula extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi encerrada hoje em Brasília com apelos à unidade regional, e em meio a fortes críticas do Equador à Colômbia.

EFE |

Pela segunda vez em uma semana, os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, não conseguiram aparar arestas no conflito em que se envolveram desde que tropas de Bogotá atacaram um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em solo equatoriano.

Na semana passada os mesmos líderes tinham se encontrado na 5ª edição da Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), realizada em Lima. Na ocasião, não houve nenhuma aproximação entre os três. O alto tom de suas declarações foi mantido após o encontro.

Apesar de a maioria dos líderes sul-americanos reunidos hoje em Brasília ter tentado evitar o conflito, Correa o manteve sobre a mesa e declarou que "as relações com o Governo colombiano, por razões que todos conhecem, estão em uma situação muito deplorável, em um ponto morto, em uma situação muito crítica".

Correa voltou a descartar supostos vínculos de seu Governo com as Farc e disse que "será melhor" que nesse país "se investiguem a 'narcopolítica' e a 'parapolítica', em alusão a escândalos que envolvem Uribe na Colômbia.

O presidente colombiano respondeu de forma indireta e por outro flanco, ao expressar confiança de que a Unasul não permitirá que "nenhum país se atreva a qualificar as Farc como grupo político", como propuseram Venezuela e Equador.

Uribe insistiu em afirmar que as Farc são "um grupo terrorista", que "assassina crianças, mulheres e homens" e financia suas próprias ações com o narcotráfico.

O líder colombiano declarou ainda que não pode evitar sua "preocupação quando alguns acham" que essa guerrilha é "um grupo político".

O terrorismo das Farc, segundo Uribe, mantém a Colômbia em uma situação isolada. Desta forma, o governante defendeu sua decisão de não integrar o Conselho Sul-Americano de Defesa proposto pelo Brasil à Unasul.

"Não aderimos (ao novo Conselho de Segurança) porque temos na Colômbia um problema de terrorismo muito grave, que inclusive gerou problemas com Governos irmãos, e que esperamos que sejam superados", expressou.

Esclareceu, no entanto, que o desejo da Colômbia é o de que a Unasul avance "rumo ao sonho de uma América do Sul de classe média próspera, na qual ninguém rompa as regras democráticas".

Apesar de nos últimos dias ter feito duras críticas a Uribe, Chávez mostrou hoje em Brasília a mesma face cara conciliadora com que se apresentou na última cúpula do Grupo do Rio, realizada este ano em Santo Domingo.

"Não vamos falar sobre isso. Vamos falar da união da América do Sul, além das diferenças", declarou o presidente venezuelano a jornalistas ao ser questionado sobre o conflito.

Segundo Chávez, que em março último chegou a mobilizar tropas na fronteira com a Colômbia, "é muito freqüente que haja algum atrito entre países vizinhos". Muitos desses problemas são apenas conjunturais, completou o venezuelano.

No entanto, Chávez reiterou que são "falsas, todas falsas", as versões sobre suas supostas relações com as Farc. Assegurou que sempre que conversou com algum representante da guerrilha o fez com "autorização do Governo colombiano e de parentes" de pessoas seqüestradas.

"Nós apoiamos a paz", acrescentou o governante venezuelano, que reiterou ainda seu argumento de que por trás do conflito colombiano está a mão dos Estados Unidos, que "pretendem impor uma agenda de guerra na região".

Na entrevista coletiva que encerrou a cúpula em Brasília, a chefe de Estado do Chile, Michelle Bachelet, que assumiu a Presidência rotatória da Unasul, disse apostar que o diálogo entre os líderes regionais em eventos similares permitirá a superação de todos os conflitos.

Citou como exemplo uma reunião reservada que contou com a participação de todos os líderes nesta sexta. Bachelet assegurou que na ocasião Chávez disse que, entre os papéis fundamentais da integração, está "o de criação ou recuperação" da confiança e "do afeto" entre os Governos sul-americanos. EFE ed/fr

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