Apec reconhece que liberalização do comércio vai demorar

Lima, 23 nov (EFE).- Os chefes de Estado que participaram da cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) reconheceram hoje que a crise financeira é seu principal desafio e que a criação de uma área de livre-comércio entre essas nações só será possível a longo prazo.

EFE |

Apesar das chamadas durante a cúpula para a abertura dos mercados e o investimento como fórmula para atenuar a crise, a declaração emitida ao término da reunião de dois dias foi cautelosa e reconheceu que o processo ainda será longo.

"A atual crise financeira é um dos desafios mais sérios que temos enfrentado", diz o texto oficial, no qual os governantes se comprometem a atuar "rapidamente e com decisão para reverter a desaceleração econômica iminente".

Eles esclarecem que tomarão "todas as medidas necessárias" e prometeram "apoiar e impulsionar as negociações para a conclusão ambiciosa e equilibrada" da Agenda de Doha.

Ao término da cúpula, o anfitrião e presidente do Peru, Alan García, disse que o Apec fará "todos os esforços" para encerrar os "capítulos que faltam para a negociação e o acordo de Doha".

Neste sentido, o porta-voz do Japão no fórum, Kazuo Kodama, revelou que os líderes instruíram seus ministros para que participem de uma reunião em dezembro, em Genebra, para levar adiante este propósito.

A Rodada de Doha é uma negociação empreendida na Organização do Comércio (OMC) com o propósito de liberalizar o comércio mundial.

Ainda com estas intenções, os governantes do Apec reconheceram em sua declaração que a Área de Livre-Comércio da Ásia-Pacífico é "uma perspectiva no longo prazo", o que dissipa as metas estabelecidas em 1994 em Bogor, na Indonésia.

Aquele objetivo situava 2010 como data limite para liberalizar o comércio dos países mais desenvolvidos e 2020 para os menos avançados.

Apesar do fato de que "uma área de livre-comércio provavelmente traria um lucro econômico a toda a região, também haveria desafios para sua criação", adverte o texto oficial.

Nesse sentido, os governantes pediram a seus ministros que adotem "medidas para examinar as perspectivas e opções de uma possível Área de Livre-Comércio, incluindo a condução de maiores trabalhos analíticos sobre o provável impacto econômico".

A declaração oficial do fórum inclui um anexo com medidas para enfrentar a crise e reconhece que a agenda desta cúpula se viu modificada devido a este problema global.

"Um dos desafios que o Apec enfrenta é restaurar a confiança em suas economias e manter a região em um caminho de crescimento no longo prazo", afirma.

Os líderes apoiaram a declaração do G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes, emitida em Washington sobre a necessidade de reforma dos mercados financeiros e ressaltaram sua convicção de que "os princípios de livre mercado e regimes de investimento e comércio abertos continuarão guiando o crescimento mundial".

Por isso, comprometeram-se a não impor nos próximos 12 meses "novas barreiras para o investimento e o comércio de bens e serviços".

O documento final também destacou a vontade de combater a corrupção e as redes internacionais do crime promovendo a integridade dos mercados e sistemas financeiros transparentes.

Em relação à saúde, eles decidiram trabalhar na diminuição de doenças como a gripe aviária e a Aids, assim como promover padrões de qualidade alimentícia.

Para o Apec, "o terrorismo internacional e a proliferação de armas de destruição em massa (...) são uma ameaça direta", pela qual o fórum se comprometeu a eliminar estes males.

Em relação à mudança climática, o Apec considera que este problema deve ser atendido de forma integral através da cooperação internacional.

O peruano Alan García transferiu hoje a Presidência do Apec ao primeiro-ministro de Cingapura Lee Hsien-Loong, cuja pequena cidade-estado, que ostenta uma forte economia, será sede da cúpula de 2009. EFE erm/ab/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG