Aos poucos, Gaza recupera a normalidade

Saud Abu Ramadan. Gaza, 22 jan (EFE).- Os moradores de Gaza viveram hoje seu quinto dia sem bombardeios maciços desde há quase um mês, enquanto tentam recuperar a normalidade em meio à devastação e a morte que deixou para trás a ofensiva israelense.

EFE |

As principais ruas de Gaza capital estão repletas de tráfego, as lojas abertas e dezenas de empregados municipais limpam, retiram escombros e recuperam a infraestrutura para que a população possa voltar a suas tarefas diárias.

Amanhã será a primeira sexta-feira (dia sagrado muçulmano) após os 22 dias de ataques israelenses e, no sábado, começarão a funcionar novamente as escolas, muitas das quais serviram nas últimas semanas de refúgio para os que tiveram que abandonar suas casas com o avanço dos tanques israelenses.

No hospital de Shifa, o principal da capital, os doentes se recuperam de seus ferimentos, embora muitos ainda tenham pela frente um longo período de reabilitação e a árdua tarefa de aprender a viver sem um braço, ou uma perna, ou com outras sequelas dos ataques.

"Entre os mortos e feridos, 50% são civis e os outros, policiais ou milicianos", afirmou à Agência a Efe Moaweya Hasanein, chefe dos serviços de emergência do Ministério da Saúde em Gaza, especificando que mais de 1.400 palestinos morreram e 5.500 ficaram feridos nos 22 dias de horror.

"A maioria foi ferida na cabeça, no peito ou no abdômen e muitos sofreram a amputação de algum membro", disse Hasaenin, acrescentando que mais dois doentes sucumbiram hoje a seus ferimentos.

Os hospitais já não sofrem carência de remédios, como ocorreu durante as primeiras duas semanas da ofensiva, já que puderam receber ajuda médica de Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Marrocos e porque chegaram a Gaza médicos estrangeiros, sobretudo dos países árabes.

Muitos pacientes puderam sair de Gaza na última semana, mas "ainda ficaram doentes em estado crítico que não podem ser transferidos porque seria perigoso no estado deles", explicou Hasanein.

John Holmes, chefe humanitário da ONU, viajou hoje a Gaza para examinar os danos sofridos e começar a desenhar um plano de reconstrução que, se segundo, será centrado inicialmente em proporcionar água potável, eletricidade, refúgio e serviços sanitários.

Durante sua visita, Holmes criticou o elevado número de vítimas, pediu uma investigação dos bombardeios contra edifícios das Nações Unidas, e insistiu em que Israel abra as fronteiras e permita a entrada de materiais de construção em Gaza.

Por enquanto, os postos continuam fechados e Israel só permite a entrada de ajuda humanitária, mas, apesar de a eliminação das redes de contrabando pelo Egito ser um dos principais objetivos do Exército israelense, cerca de 40% dos túneis permaneceram e voltaram a ser usados, segundo testemunhas na região de Rafah (sul de Gaza).

"Já estão entrando outra vez pelo Egito alimentos, cigarros, algumas bebidas e inclusive combustível", disse à agência Efe um residente de Rafah quem, ao ser perguntado se também se havia reiniciado o tráfico de armas, respondeu: "Isso nunca se pode saber".

Embora as tropas israelenses tenham abandonado Gaza totalmente ontem e a maioria das milícias palestinas tenha se comprometido no domingo a um cessar-fogo de uma semana, ainda se registram incidentes violentos diariamente.

Hoje, cinco civis palestinos foram feridos, dois deles com gravidade, por disparos efetuados de navios de guerra da Marinha israelense contra uma região litorânea ao oeste da Cidade de Gaza, informaram testemunhas e fontes médicas palestinas.

Segundo residentes de Gaza capital, várias embarcações israelenses bombardearam dezenas de vezes a costa da faixa, principalmente contra o campo de refugiados de Shati.

Porta-vozes do Exército israelense asseguraram que os disparos eram "uma advertência" para impedir que embarcações palestinas de pescadores se afastassem do litoral. EFE sar-aca-amg/jp

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