Aos 90 anos, morre no Quênia o estudante mais velho do mundo

NAIRÓBI - Um camponês celebrado no Quênia como o aluno mais velho do mundo faleceu aos 90 anos, informou a mídia local nesta sexta-feira. Kimani Maruge, um bisavô analfabeto, ganhou manchetes no mundo quando aproveitou uma tardia oportunidade de estudar depois que o governo do presidente Mwai Kibaki introduziu no país a escolaridade primária gratuita, em 2003.

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Kimani Maruge (à frente) assiste à aula na Escola Primária de Kapkenduiywo em Langas - 300 km ao oeste da capital queniana Nairobi
Kimani Maruge (à frente) assiste à aula na Escola Primária de Kapkenduiywo em Langas - 300 km ao oeste da capital Nairobi. Foto de outubro de 2006


A emissora NTV, do Quênia, informou que, no início do mês, Maruge recebeu o diagnóstico de câncer e havia sido submetido a uma cirurgia, mas depois disso sua saúde se deteriorou.

Veterano da revolta Mau Mau, nos anos 50, contra o domínio colonial britânico, Maruge nunca havia tido a oportunidade de ir à escola quando menino. Logo se tornou uma celebridade nacional e símbolo dos ativistas que fazem campanha pela educação gratuita em todo o mundo.

Em 2005, ele viajou para a sede da ONU, em Nova York, para fazer um apelo aos líderes mundiais por educação aos pobres.

Ele levou adiante seus estudos mesmo depois que sua casa no Vale do Rift foi incendiada durante a crise pós-eleitoral do ano passado e ele teve de mudar-se, primeiro, para um campo para famílias deslocadas, e depois para um abrigo de pessoas idosas na capital, Nairóbi.

A mídia local informou que faltavam dois anos para ele completar o ensino primário.

Em uma entrevista em 2006, Maruge disse à Reuters que queria ir à escola para poder ler a Bíblia sozinho e só pararia de estudar se ficasse cego ou morresse.

"Ser livre é aprender, sabe", disse ele na época.

(Reportagem de Daniel Wallis)

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